6 Dezembro 2017      11:28

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GLIFOSATO: UMA DECISÃO DE COMPADRES

Para que não restem dúvidas: o principio da precaução foi colocado na gaveta no dia 27 de novembro de 2017 pela União Europeia, data em que o Comité de Recurso da União Europeia tomou uma clara opção pelo agronegócio, pronunciando-se a favor da renovação do uso do glifosato por (mais) cinco anos no espaço europeu, com uma maioria qualificada de 18 Estados Membros. Portugal absteve-se e nove estados votaram contra.

Para que se saiba: a Comissão Europeia vinha a ser impedida pelo Parlamento Europeu na intenção da prorrogação da licença da utilização do glifosato, sendo que a maioria dos eurodeputados instigaram a Comissão Europeia a adotar as “medidas necessárias para eliminar progressivamente a substância ativa glifosato no espaço da união até 15 de dezembro de 2022”.

A reviravolta: O capitalismo de compadres foi mais forte! E a União Europeia cedeu a toda a influência e poderio económico conduzido pela multinacional Monsanto para prolongar a utilização do glifosato.

A pergunta que se impõe: com base em que critérios políticos e em que procedimento de análise dos riscos para a saúde pública Alemanha, Bulgária, Dinamarca, Eslovénia, Eslováquia, Espanha, Estónia, Finlândia, Holanda, Hungria, Irlanda, Letónia, Lituânia, Polónia, Reino Unido, República Checa, Roménia e Suécia, decidiram a prorrogação da substância glifosato por mais 5 anos?

O que fica evidente: é que para os países acima referidos, que representam 65,71% da população dos 28 estados da União Europeia, são mais importantes os negócios do que as pessoas e/ou o ambiente. Pouco ou nada importa que a substância ativa glifosato esteja classificada desde 2015 como provável carcinogéneo para o ser humano pela Agência internacional para a Investigação sobre o cancro.

O que é digno de vergonha: o voto da Alemanha que viabilizou o glifosato. O ministro da Agricultura, Christian Schmidt, decidiu por si próprio votar a favor da renovação da licença do glifosato na União Europeia, contrariando, assim, a decisão tomada pelo seu governo, voto de abstenção. Angela Merkel lamentou a decisão do ministro da Agricultura e, ainda, disse que um incidente como este não se voltaria a repetir. Até hoje, os parceiros de coligação no governo alemão permanecem incrédulos e indignados com o comportamento do ministro que à revelia da decisão governamental votou a favor.

O que se repete: o capitalismo de compadres que manda na União Europeia e que não passa de uma colmeia gigante pulsante de lobistas, burocratas, políticos e consultores que, em detrimento dos cidadãos e do ambiente, favorecem os grandes interesses económicos e as elites consolidadas.

E, assim vai o mundo...

Imagem de capa de marketingagricola.pt

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