Tantas vezes renascemos das nossas próprias cinzas. Levados até elas na forma figurada, tantas vezes nos voltamos a reerguer com o esplendor que nos é inerente.
Como as fénix, que renascem das suas próprias cinzas e ilustram o nosso texto de hoje, também nós acabamos em cinzas e em pó. A inevitabilidade desse processo é factual e real.
Na semana passada escrevi de separação, fe todas as separações que já vivemos, e por natureza humana, continuaremos a viver. Quando não o fizermos, seremos já cinza e muito provavelmente não assumiremos a forma de uma fénix que renasce das suas cinzas.
Gosto de pensar que somos mais fortes do que Sísifo. Para quem não conhece o mito, Sisifo carrega uma pedra enorme até ao cimo de um monte e quando atinge o cume, volta ao início. Nós somos assim, carregamos um peso tão grande que por muito perto que seja o cimo do monte e muito fácil que seja a empreitada, a nossa pedra volta a rolar.
Quando nos erguemos das cinzas, as chamas tornam a invadir aquilo que está construído e forçam o novo processo de regeneração.
No processo do sucesso da regeneração e do erguer são as forças exteriores, as línguas alheias que como os cabelos de Medusa exploram as fraquezas e espalham o líquido que, puro, envenena as mentes.
Mas a Fénix protege as penas que com lágrimas hidratamos e retorna a nós essa vida que parecia perdida.
Todos os dias neste mundo, neste pedaço de universo, há fénix que renasce, há medusa que envenena, em qualquer mesa, em qualquer espelho. Todos os dias neste mundo, as chuvas humedecem as nossas cinzas e delas nascem novas plantas e novos seres, a partir das sementes perdidas.
