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Ervas aromáticas do Alentejo, um tesouro de aromas e sabores

Seguimos o nosso roteiro pela cultura alentejana, uma vez mais pela magia da cozinha alentejana. Uma arte que, com os seus saborosos ingredientes, faz dela um verdadeiro tesouro nacional.

Ao longo dos tempos, uma das coisas que a natureza nunca nos negou foram as ervas e os cheiros. E, na verdade, são estas ervas aromáticas que dão o sabor, a cor e o aroma bem caraterísticos da gastronomia alentejana. Mas importa perceber a origem e criatividade de tão genuína arte.

Em tempos idos a região era pobre e foi na tentativa de iludir a sensação de fome que a criatividade e imaginação do povo alentejano veio ao de cima. Sabendo das suas limitações e aproveitando a riqueza dos seus recursos, este povo criou uma cozinha genuína e bem nutritiva, um pouco ao género da sua forma de ser, (Manuel Fialho, 1992)[1]. No fundo a necessidade aguçou o engenho. Aliás, Alfredo Saramago (2001)[2], um profundo conhecedor da gastronomia alentejana, lembrou que, “desde muito cedo, o alentejano entendeu que comer era, não só, um ato necessário e imperativo de sobrevivência (…)”. A história do Alentejo é a história do “uso e abuso” das ervas aromáticas e condimentares, as quais serviram para suavizar a falta de muitos outros alimentos, contribuindo assim para dar a sensação de “estômago cheio”.[3]

O que seriam dos mais típicos pratos alentejanos sem o poejo, as beldroegas, os espargos, os cardos, as acelgas, o orégão, o tomilho, os coentros, os saramagos, a murta, o alecrim, o poejo, as labaças ou a hortelã da ribeira, entre tantos outros?! São eles a verdadeira base da simplicidade e identidade da cozinha alentejana.

Quando falamos nas ervas e seus usos, quer seja para fins culinários ou medicinais, é lembrar aquele que foi o seu maior perito e guardião – Mestre José Salgueiro, natural de Montemor-o-Novo. Figura incontornável alentejana, que dedicou uma vida ao estudo deste saber[4].

De forma a celebrar a gastronomia tradicional, divulgar e promover os sabores mais antigos e genuínos da culinária alentejana, o Município de Borba, recebe, entre os dias 8 e 17 de Maio, o Festival Gastronómico “Ervas Alimentares e Aromáticas”. Uma iniciativa que certamente levará os seus visitantes a conhecerem o dom de transformar um prato simples numa criação tradicional e saborosa.

[1]Fialho, M. (1992). Cozinha Regional do Alentejo. Mem Martins: Europa-América.

[2] Saramago, A. (2001) – Gastronomia do Alentejo. Concurso de Cozinha Alentejana – as melhores receitas. Ed da C. M. Évora.

[3] Consultado em: https://tradicional.dgadr.gov.pt/pt/cat/outros-produtos-vegetais/298-ervas-aromaticas-do-alentejo

[4] Salgueiro, J. (2018). Ervas, usos e saberes. Lisboa: Edições Colibri.

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