5 Janeiro 2018      16:57

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EM 2018 É PROIBIDO FALHAR!

Começámos o ano com a tradicional mensagem de ano novo do Presidente da República. Marcelo não quer ver o Estado “falhar” em 2018, nem tão pouco quer perder uma oportunidade para ficar bem na selfie do próximo ano. Curado que está das hérnias encarceradas que o perseguiam, vamos ter um Presidente reinventado à procura da coesão dos vários Portugais.

Quanto ao falhanço da Gerigonça a coisa é tão complicada como a sua própria génese; ela que estava predestinada ao fracasso desde o início, conta já com dois pujantes anos. Por partes: o Governo, o Partido Socialista e os Partidos que suportam esta solução de governo na Assembleia da República têm objetivos diferenciados para 2018.

O governo tem em 2018 a verdadeira prova de “fogo” à sua governação. Os objetivos macroeconómicos continuam a ser rigorosos, o emprego continua a ser uma prioridade exigente, a tolerância zero em relação aos fogos/ordenamento da floresta, e o último e derradeiro Orçamento de Estado para o ano de 2019. A popularidade de António Costa e as intenções de voto continuam relativamente intactas, mas será absolutamente necessária a “reinvenção” do próprio Governo para o horizonte de maioria absoluta em 2019.

Se este ano é ainda pré-eleitoral e o Partido Socialista tem como meta a maioria absoluta nas próximas legislativas, 2018 começa com eleições internas (1.º semestre) que vão servir sobretudo para arrumar a casa e posicionar as tropas. Pese embora as eleições legislativas funcionarem tendencialmente como uma avaliação ao Governo em funções, o PS tem também responsabilidade, em todos os planos, de mostrar a sua dinâmica própria, nomeadamente no Parlamento. Tomadas de posição como a da reapreciação das responsabilidades contratuais da concessão em vigor entre o Estado e os CTT mostram esse caminho.

Por outro lado, os partidos que suportam o governo no Parlamento vão começar a divergir das políticas do governo e isso é cada vez mais notório. As fricções entre os partidos da maioria de esquerda no parlamento, não foram apenas visíveis na discussão do Orçamento de Estado, como se prolongaram no debate do salário mínimo. Todos nós temos visto na rua cartazes do Partido Comunista a acusar o PS de não “querer” o aumento do salário mínimo para 600€. Esta tentativa de distanciamento já foi visível anteriormente na discussão do Orçamento de Estado de 2018, com especial relevância para o Bloco de Esquerda, no episódio das taxas das renováveis. Todos vão querer mostrar as suas diferenças; vamos ver quem o faz melhor e com menos falhas.

A grande incógnita é, sem sombra de dúvidas, a nova liderança do PSD. Aqui reside o único fator imprevisível, aos dias de hoje, com as duas candidaturas anunciadas e formalizadas. Em oposição vai estar aquele que os militantes desejavam para Presidente do Partido e aquele que os mesmos imaginavam ver como Primeiro-ministro. O que quer isto dizer? Santana continua com “mel” dentro do Partido mas tem ainda a sua popularidade junto dos eleitores muito desgastada. Rio é visto dentro do Partido com menos carinho, mas todos pensam que será melhor recebido nas urnas. Um puzzle difícil e que ainda não trouxe grandes novidades ao nível programático. Não há em nenhuma candidatura com um rasgo de inovação e isso foi bem visível no primeiro debate televisivo. O nível de segurança da próxima liderança do PSD é muito reduzido e qualquer passo em falso será fatal nas pretensões do Partido. A somar a isto, temos uma Assunção Cristas “pronta” para ser primeira-ministra e que mostrou em Lisboa que pode fazer mossa ao PSD.

Mas na entrada de 2018 todos os Partidos já saíram a perder com a forma pouco transparente como debateram a questão do seu financiamento e ao respetivo veto de Marcelo. Num tema como este era esperada outra abertura e clarificação para que a nuvem que paira sobre os partidos políticos não se adensasse.

No plano regional, muitos esperam falhas do pacote de descentralização e democratização regional. Este que é um grande desafio do governo e de muitos atores regionais para 2018, será também um enorme problema caso venha a ser mal desenhado ou não venha a ser implementado no prazo estabelecido. Muitos autarcas têm reclamado no cenário pós-eleitoral que haja uma definição e concretização deste programa, bem como a resolução final do Congresso da Associação Nacional de Municípios versa em muitas partes sobre a necessidade de implementação deste pacote.

Já nas autarquias locais, vai ser o ano da consolidação (ou não) dos novos autarcas saídos das eleições de dia 1 de outubro de 2017. Com pouco tempo para fazer os respetivos orçamentos neste ano, em 2018 já não podem haver desculpas de tempo e de inexperiência à frente dos cargos.

De forma resumida, 2018 vai ser um ano em que todos vão esperar que os outros falhem: o governo espera não falhar e todos à exceção do PS esperam que ele falhe. O PS espera que a nova liderança do PSD meta água logo no início e os partidos à esquerda não hostilizem o seu discurso. O PCP e o Bloco vão passar o ano a anunciar “falhas” dos outros. O PSD espera uma nova vida e o CDS está ali à espreita de qualquer deslize. Atento a tudo isto estará o super Marcelo a “surfar” por cima de todas as falhas. Quando se falar de descentralização, os cépticos vão apontar as falhas do modelo seguido e, por fim, nas autarquias vamos ver quem pega de estaca.   

 

 

Imagem de estatuadesal.com

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