Tribuna Alentejo
Sociedade

Cidadãos estrangeiros são a maioria da população em Odemira, representando 52,06%

Portugal conta atualmente com 27 concelhos onde mais de um quinto da população residente é de nacionalidade estrangeira, um fenómeno demográfico impulsionado pela imigração e que se concentra sobretudo na Grande Lisboa, no Algarve e no Alentejo, com esta última região a registar os casos mais extremos de representação demográfica. Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), referentes ao final de 2025, o Alentejo destaca-se à escala nacional com o município de Odemira, onde os cidadãos estrangeiros já são a maioria absoluta da população, representando 52,06% do total de residentes (22 930 imigrantes num universo de 44 043 habitantes). Também no território alentejano, o concelho de Ferreira do Alentejo evidencia-se nesta tendência migratória, com 30,2% da sua população total composta por cidadãos com nacionalidade estrangeira.
Este forte fluxo migratório tem sido o motor essencial para travar o declínio demográfico do país, conseguindo colmatar o saldo natural negativo de Portugal, que se tem fixado acima dos 32 mil indivíduos nos últimos três anos devido ao número de óbitos superar consistentemente o de nascimentos. No total nacional, a população fixou-se em 11 424 031 residentes, dos quais 1 597 539 são imigrantes oriundos de mais de 115 países, liderados pela comunidade do Brasil (574 195 pessoas), seguida pelas de Angola, Índia e Cabo Verde. Apesar do peso acumulado, os dados do INE revelam que o ritmo de entrada de imigrantes começou a desacelerar nos últimos anos, verificando-se uma quebra no saldo migratório, que passou de 307 288 pessoas para 216 629, estabilizando num saldo de 70 862 indivíduos.
A nível nacional, a distribuição dos concelhos com mais de 20% de população imigrante estende-se à Grande Lisboa, em municípios como a Amadora (27,65%) e Odivelas (27,13%), e de forma massiva ao Algarve, com destaque para Vila do Bispo (41,73%), seguido de Aljezur, Albufeira, Lagos, Loulé e Tavira, todos com mais de 30% de residentes estrangeiros. Na região Centro do país, também os concelhos do Entroncamento (24,96%), Pedrógão Grande (20,83%) e Rio Maior (20,52%) registam uma elevada proporção de cidadãos de outras nacionalidades. Esta vaga de imigração rejuvenesceu várias geografias, permitindo que 198 concelhos registassem, num período de cinco anos, um aumento na faixa etária das crianças e jovens até aos 14 anos, com especial expressão em Vila Velha de Ródão (mais 28,44%), Entroncamento (mais 28,19%) e Vila de Rei (mais 26,8%), contrariando o cenário de envelhecimento severo que afeta locais como Vinhais, cujo índice de envelhecimento atinge o valor de 687,0. Diante destas alterações na base demográfica real do país, o INE confirmou que irá proceder à revisão de todos os indicadores per capita nacionais para os anos de 2021 a 2024, o que terá um impacto direto nas estatísticas e leitura do Produto Interno Bruto (PIB), do emprego, da justiça, da educação e da saúde.

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