As obras para garantir o fornecimento elétrico ao futuro Hospital Central do Alentejo, em Évora, já arrancaram no terreno. O projeto consiste na instalação de duas linhas subterrâneas de média tensão (15 kV) que vão ligar a nova unidade de saúde a duas subestações distintas da cidade — a de Évora e a da Caeira —, num percurso total que ultrapassa os 14 quilómetros de extensão. A distribuidora E-REDES confirmou o início dos trabalhos preparatórios e de manutenção na zona envolvente, embora não tenha adiantado prazos para a conclusão definitiva das intervenções.
O Município de Évora viabilizou as infraestruturas elétricas e rodoviárias do novo hospital. A sua intervenção começou a ser decisiva, quando a autarquia detetou, durante uma reunião técnica sobre a iluminação pública dos acessos, que não existia qualquer plano ou pedido formal para abastecer a futura unidade de saúde com eletricidade. Perante esta falha, a Câmara Municipal assumiu a liderança do processo, promovendo reuniões de articulação com a E-REDES e com a Administração Regional de Saúde do Alentejo para que o pedido de ligação à rede fosse avançado pela tutela da Saúde e os respetivos projetos técnicos fossem desenvolvidos.
Além de garantir a concertação entre as várias entidades, o município participou na definição da solução técnica que garantiu a segurança do hospital através de uma rede de abastecimento redundante baseada em duas subestações distintas. No plano urbanístico, a autarquia avaliou o impacto das obras na rede viária e na malha urbana da cidade, assumindo a responsabilidade de coordenar a execução das novas acessibilidades e estradas em simultâneo com a abertura de valas para a instalação dos cabos elétricos subterrâneos.
A primeira ligação, denominada EV15-93, parte da Subestação de Évora e estende-se por 5.180 metros até ao posto de seccionamento do hospital, atravessando várias uniões de freguesias do concelho. A segunda linha, sob o código EV15-94, terá origem na Subestação da Caeira e será mais longa, com um traçado de 9.453 metros. A opção por este sistema duplo de abastecimento foi concertada ainda no final de 2024 entre a autarquia, a E-REDES e a tutela da Saúde. A solução técnica visa criar uma rede de redundância energética indispensável para salvaguardar a continuidade e a segurança dos serviços hospitalares.
Este projeto avançou após ter sido detetada, há cerca de dois anos, a ausência de um pedido formal e de planeamento técnico para a eletricidade do complexo, falha que foi posteriormente corrigida pela Administração Regional de Saúde do Alentejo. Em setembro de 2026, os processos de licenciamento foram publicados pela Direção-Geral de Energia e Geologia.
O investimento nestas redes externas — que englobam também os acessos rodoviários, a água e o saneamento — conta com uma dotação governamental autorizada em 2025 de até 13,776 milhões de euros, estando a execução a ser acompanhada pela Administração Central do Sistema de Saúde. Apesar do progresso visível no terreno na linha ligada à Subestação de Évora, o calendário global da obra e o orçamento específico de cada traçado continuam por detalhar.
