A atual campanha de comercialização oleícola de 2025/2026 arrancou sob forte pressão económica nas principais regiões produtoras do país, abrangendo o Alentejo, Ribatejo, Beira Litoral, Beira Interior e Trás-os-Montes. De acordo com os dados mais recentes do setor, verificou-se uma quebra generalizada nos preços de venda, afetando tanto o produto já embalado — em comparação com a semana transata — como o azeite comercializado a granel, que desvalorizou face ao último balanço registado. Esta tendência de queda é fortemente influenciada pelas dinâmicas do mercado espanhol e pelo impacto direto da entrada massiva de azeite oriundo da Tunísia a preços altamente competitivos.
Como consequência imediata deste cenário de desvalorização, os produtores nacionais encontram-se impossibilitados de cobrir os investimentos realizados na matéria-prima e na laboração, enfrentando sérios entraves de liquidez financeira. Em termos qualitativos, as notícias são positivas, mantendo-se os elevados padrões e as boas características organoléticas do produto em todas as zonas do território nacional.
Adicionalmente, as projeções atualizadas do INE (Instituto Nacional de Estatística) apontam para que a produção global de Portugal atinja cerca de 175 mil toneladas, superando as primeiras previsões. Este crescimento deve-se, em grande parte, ao Alentejo, região que concentra historicamente mais de 80% da produção nacional de azeite e constitui o principal motor das exportações portuguesas deste setor para mercados estratégicos como o Brasil e a Europa. O aumento da capacidade deve-se sobretudo ao início de atividade de novas plantações assentes em modelos de cultivo intensivo e superintensivo em solo alentejano.
