A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) decretou o reforço do Estado de Prontidão Especial para o nível III devido a um agravamento muito significativo do perigo de incêndio rural a partir da madrugada de 2 de julho. As previsões meteorológicas apontam para um cenário crítico de calor extremo, com temperaturas máximas acima dos 40º C, humidade relativa do ar inferior a 30% e vento forte com rajadas até 80 km/h nas terras altas do Norte, Centro, Alto Alentejo e serras algarvias.
Esta combinação meteorológica coloca todo o território continental sob perigo de incêndio Muito Elevado a Máximo, afetando particularmente as regiões Norte e Centro, onde o histórico de elevada incidência aumenta o risco de múltiplas ignições simultâneas e fogos de grande dimensão e longa duração.
Para responder a esta ameaça, a proteção civil acionou o Centro de Coordenação Operacional Nacional e avançou com o pré-posicionamento estratégico de meios terrestres e aéreos em todo o país. Entre as movimentações operacionais destaca-se o destacamento do Grupo de Reforço em Ataque Ampliado (GRUATA) da Força Especial de Proteção Civil para Cardosos, em Leiria, além do reposicionamento de equipas de bombeiros da Grande Lisboa em Abrantes, das Beiras em Mangualde, e de grupos de reforço do Porto em Vila Real, da Região Centro em Albergaria-a-Velha e do Alentejo em Ourique. O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), as Forças Armadas e a Guarda Nacional Republicana (GNR) também intensificaram a vigilância, o patrulhamento e a fiscalização nas zonas florestais mais sensíveis.
Face ao comportamento extremo do fogo esperado para os próximos dias, as autoridades reforçam o apelo à responsabilidade cívica e pedem à população que evite estritamente comportamentos de risco, como fazer qualquer tipo de lume em espaços abertos, usar máquinas agrícolas ou florestais que gerem faíscas, deitar beatas para o chão e estacionar veículos sobre ervas secas. É também recomendado o reforço da autoproteção das habitações através da limpeza de telhados, caleiras e da faixa envolvente de vegetação, bem como o afastamento de materiais inflamáveis como lenha e botijas de gás. A ANEPC recorda que a maioria das ocorrências resulta de negligência humana e que, em caso de avistamento de fumo ou fogo, a população deve afastar-se imediatamente e ligar para o número de emergência 112.
