Tribuna Alentejo
Maria da Conceição Guerreiro Casa Nova, Presidente da Assembleia Municipal de Beja
Baixo Alentejo

Assembleia Municipal de Beja quer linha férrea aberta durante obras de modernização

A Assembleia Municipal de Beja apelou à manutenção da circulação em troços da linha ferroviária entre Casa Branca e Beja durante as obras de modernização, evitando o encerramento temporário, e transporte rodoviário alternativo para as populações.

Numa moção aprovada por unanimidade na reunião realizada esta quarta-feira, enviada ontem à agência Lusa, a assembleia municipal reconhece que “a modernização das infraestruturas ferroviárias é fundamental para o desenvolvimento de qualquer região e para a melhoria das acessibilidades às mesmas”.

Esse é o caso da Linha do Alentejo no troço entre Casa Branca, localidade situada na freguesia de Santiago do Escoural, no concelho de Montemor-o-Novo, distrito de Évora, e Beja.

No texto da moção, é referido que este segmento da linha ferroviária, com cerca de 64 quilómetros, de acordo com o plano da Infraestruturas de Portugal (IP), deverá encerrar “durante 21 meses para a execução de obras”.

“A população em geral, as mais diversas organizações (empresariais, sociais e outras) e os autarcas locais já manifestaram receios de que este encerramento possa ser prolongado para além desse prazo”, lê-se no documento.

O que, acrescenta o órgão autárquico, “poderá causar graves inconvenientes às populações que dependem desta ligação para a sua mobilidade, bem como para o desenvolvimento da região”.

Na moção, que foi apresentada pelo grupo do PS eleito neste órgão, mas aprovado por unanimidade, a IP justifica a suspensão total da circulação “com a necessidade de construir uma nova plataforma e substituir os tabuleiros metálicos das pontes”.

Mas, “surgem questões relativamente à efetiva necessidade de encerrar a linha durante todo o período da obra e à criação de alternativas eficazes de mobilidade para as populações afetadas”, é referido.

Por isso, no documento, que vai ser enviado ao Ministério das Infraestruturas e Habitação e aos grupos parlamentares representados na Assembleia da República, a Assembleia Municipal de Beja exige alternativas de transporte rodoviário para as populações durante o período de encerramento da linha ferroviária.

Além disso, apela “à criação de medidas para minimizar o impacto social e económico do encerramento da linha nas populações e na economia regional”, nomeadamente com o “não encerramento total da linha, sempre que operacionalmente seja viável”.

Assim, só seria considerado “o transporte alternativo apenas nos troços mais curtos intervencionados entre estações”, propõem.

Além disso, são reclamados “planos de investimento adicionais, incluindo a reabertura do troço Beja-Funcheira e a ligação ferroviária ao aeroporto de Beja, para que possam potenciar ainda mais a importância estratégica da linha do Alentejo”.

No início de janeiro, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo anunciou a abertura do aviso de concurso, com a IP como beneficiário, para modernização da Linha do Alentejo, no troço Casa Branca – Beja, com uma dotação superior a 80 milhões de euros.

Em outubro de 2024, numa pergunta entregue no parlamento dirigida ao ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, o PS questionou a “efetiva necessidade de encerrar”, durante quase dois anos, o troço ferroviário entre Casa Branca e Beja para a realização de obras de modernização e reclamou alternativas.

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