Está em curso uma iniciativa pioneira em Portugal que pretende dar voz aos profissionais do setor artesanal: trata-se do Manifesto pelo Futuro do Artesanato, um documento coletivo e participativo, idealizado por um grupo independente de artesãs e artesãos. A proposta parte de um princípio claro — escutar diretamente quem vive o artesanato no terreno, com os seus desafios, saberes e visões para o futuro, promovendo uma reflexão aprofundada sobre o setor.
Num momento em que o artesanato ganha nova visibilidade — seja nas redes sociais, nas tendências do design contemporâneo ou nas políticas de sustentabilidade — este movimento propõe ir além da superficialidade e colocar em destaque as realidades complexas de quem pratica os ofícios no dia a dia. Célia Macedo, oleira em Montemor-o-Novo e uma das impulsionadoras da iniciativa, resume o espírito do projeto: “O objetivo é criar um retrato real do setor, com as suas riquezas, desafios e necessidades, e construir um manifesto que fale por nós e para nós: os profissionais que dão vida aos ofícios em Portugal.”
A primeira fase do processo decorre até 31 de julho, com a divulgação de um questionário online dirigido a todos os que trabalham no setor. As respostas recolhidas servirão de base para a redação de um rascunho do manifesto, que será posteriormente submetido a revisão coletiva por quem participou. A versão final será apresentada publicamente numa data ainda a anunciar, com um apelo à sua subscrição por profissionais, entidades e cidadãos interessados. Apesar de ainda em fase de construção, a iniciativa tem vindo a captar atenção dentro e fora do país, com contactos estabelecidos com a rede europeia Mad’in Europe, que promove os ofícios tradicionais a nível continental. O objetivo é claro: transformar este manifesto numa ferramenta de visibilidade, valorização e reivindicação, feita a partir de dentro do setor e com impacto real no futuro do artesanato português.
Formulário de participação disponível aqui: https://forms.gle/p3wNjw2QmKNfzwqP7
