Portugal entra na época de incêndios rurais com o maior dispositivo de sempre, mas o presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), José Manuel Moura, avisa que os meios de combate por si só podem não ser suficientes perante condições como as do verão de 2025. “Se tivermos um ano como o passado, não é mais dois meios aéreos ou mais 20 equipas que vão fazer a diferença”, alertou o responsável.
Um fator agravante é o legado da tempestade Kristin, que deixou extensas áreas do território com árvores caídas e grande quantidade de material lenhoso no solo, criando condições propícias à propagação do fogo. A ANEPC, em articulação com o ICNF, a AGIF, a GNR e as Forças Armadas, está a identificar freguesias prioritárias e a intervir nas zonas mais afetadas. Para apoiar o planeamento operacional, foi acionado o programa Copernicus, através do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, com imagens de satélite em permanência e voos de reconhecimento da Força Aérea.
A estratégia nacional assenta no ataque inicial, que resolve cerca de 96% das ocorrências. O verdadeiro desafio reside nos restantes 4%, que exigem ataque ampliado e equipas altamente especializadas. José Manuel Moura defende o reforço da Força Especial de Proteção Civil, atualmente com cerca de 260 profissionais, para aproximá-la dos 1.000 elementos.
O presidente da ANEPC sublinha que as alterações climáticas estão a prolongar os períodos de risco e que o dispositivo tem de estar preparado para responder também em abril, maio e junho. A mensagem é de preparação: “A prevenção, a gestão do território e a qualificação dos operacionais serão determinantes para enfrentar incêndios mais violentos e imprevisíveis.”
