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Hospitais portugueses não conseguem atrair e reter enfermeiros, diz estudo que envolveu investigadora da Universidade de Évora

Hospitais portugueses falham na aplicação prática de medidas para reter enfermeiros, conclui um estudo publicado esta quarta-feira, 21 de outubro de 2026, pela Universidade de Évora. A investigação, que inquiriu 1.004 enfermeiros de 29 unidades de saúde públicas e privadas, revela que a liderança destas instituições é bem avaliada, mas o esforço esbarra em políticas internas deficientes de captação e fixação de talento. Os profissionais exigem respostas concretas no terreno que vão além do simples reconhecimento institucional.
O trabalho científico foi divulgado na conceituada revista especializada Nursing Reports com o título original Talent-Management in Nursing: Factors, Organisational Practices and Retention Indicators Among Portuguese Nurses—A Cross-Sectional Study. Os dados recolhidos sublinham que as competências de chefia são vistas de forma positiva pela classe, mas os indicadores associados à capacidade de atração e permanência nas equipas registaram as notas mais baixas. Para contrariar este cenário, os autores do relatório apontam caminhos obrigatórios como o investimento real na evolução e progressão na carreira, a valorização das funções desempenhadas, o apoio direto das lideranças e a melhoria generalizada do ambiente e das condições diárias de trabalho.
A autoria do artigo divide-se entre três investigadoras de diferentes quadrantes da saúde e da academia a nível nacional: Telma Quaresma (ligada à Unidade Local de Saúde do Algarve e ao Comprehensive Health Research Centre), Maria do Céu Marques (docente na Universidade de Évora e investigadora na Escola Superior de Enfermagem de São João de Deus) e Liliana Mota (da Escola Superior de Saúde do Norte da Cruz Vermelha Portuguesa e do centro RISE-Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto).
A equipa responsável pelo estudo deixa, contudo, uma ressalva metodológica importante: por se tratar de uma análise de base transversal — ou seja, focada num momento temporal específico —, não é cientificamente possível determinar relações diretas de causa e efeito a partir destes dados. Isto significa que as conclusões não servem para justificar, por si só, o fluxo de emigração destes enfermeiros para o estrangeiro, servindo sobretudo de alerta para a urgência em desenhar estratégias nacionais estruturadas que garantam a estabilidade das equipas de enfermagem no país.

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