Quercus Exige Fim de Subsídios à Queima Industrial de Biomassa e Alerta para Falsa Solução Ecológica.
No âmbito do Dia Internacional de Ação sobre a Biomassa em Grande Escala, assinalado a 21 de outubro, a Quercus juntou-se a uma rede de organizações internacionais para exigir o fim imediato dos apoios financeiros públicos destinados à queima de biomassa florestal. A associação ambientalista argumenta que esta fonte energética tem sido erradamente classificada como renovável, quando, na verdade, acarreta um elevado impacto climático e destrutivo para os ecossistemas. Segundo a organização, a queima de madeira liberta de forma instantânea todo o carbono que estava retido na vegetação, sendo que a sua recuperação através do crescimento de novas árvores é um processo demorado e incerto. Por este motivo, a Quercus defende que a biomassa lenhosa deve deixar de contabilizar para as metas da Diretiva das Energias Renováveis da União Europeia e que as suas emissões poluentes passem a ser integradas no Comércio Europeu de Licenças de Emissão.
Em Portugal, o cenário é dominado pela indústria das celuloses, apontada pela Quercus como o setor que mais madeira queima para fins energéticos no país. Dados de 2021 revelam que estas fábricas consumiram quase 3 milhões de toneladas de biomassa lenhosa, sendo que cerca de 60% resultou diretamente de operações de exploração florestal. O setor foi responsável por 80% da eletricidade gerada a partir desta fonte e concentrava mais de metade da capacidade industrial nacional instalada para o efeito. Perante este panorama, a Quercus apela ao Governo português por maior transparência e fiscalização nas cadeias de abastecimento. A associação exige a divulgação pública dos impactos ambientais associados aos subsídios estatais, o reforço da rastreabilidade da chamada “biomassa residual” e uma aposta firme em soluções alternativas de preservação, tais como a compostagem ou a trituração de sobrantes para enriquecimento direto do solo.
