O tecido empresarial português apresenta sinais evidentes de asfixia financeira e de perda de fôlego no empreendedorismo, com o Alentejo a destacar-se negativamente tanto no aumento de falências como no travão à abertura de novos negócios. De acordo com um relatório recente da consultora Iberinform, o número de insolvências declaradas em Portugal avançou 5,5% no acumulado dos primeiros sete meses do ano face ao período homólogo, impulsionado sobretudo pelos pedidos avançados por terceiros, que cresceram 8,2%, e pelas autofalências, com uma subida de 2,8%.
O sinal de alarme ganha contornos mais severos quando analisado o comportamento isolado do mês de julho, período em que os processos saltaram uns expressivos 58% em termos homólogos, totalizando 163 ocorrências. No panorama regional, o Alentejo surge em forte evidência pela pior razão, com o distrito de Beja a registar uma das maiores subidas relativas do país ao ver o número de insolvências duplicar, disparando 100% face ao ano anterior.
Embora os grandes centros urbanos como Lisboa, Porto e Braga continuem a concentrar o maior volume absoluto de processos, a vulnerabilidade económica alastrou-se ao interior e às regiões autónomas. Em termos homólogos, a capital registou um agravamento de 14% na sinistralidade empresarial, enquanto o Porto e Braga viram as falências recuar 14% e 4,2%, respetivamente. Em termos relativos, o cenário mais crítico viveu-se na Madeira, com um salto de 117%, partilhando o topo dos aumentos com Vila Real e o distrito alentejano de Beja. Sob a ótica setorial, as telecomunicações lideraram os impactos negativos com uma subida de 50% nos processos, seguidas pela hotelaria e restauração, com mais 29%. No que respeita aos processos já findos, julho fechou com um aumento de 2,4% nas ações encerradas e o acumulado anual escalou 18%, um desempenho fortemente alavancado pelo crescimento de 69% nos encerramentos que envolveram um plano de viabilização.
Em sentido inverso, a iniciativa privada para abrir novos negócios está a abrandar de forma acentuada em todo o país e o Alentejo reflete de forma expressiva este desinvestimento. No mês de julho, o nascimento de empresas afundou 21% em termos homólogos, traduzindo-se na constituição de 3.695 firmas — menos 999 do que no período homólogo de 2025. Embora Lisboa, Porto e Setúbal se mantenham no topo das regiões com maior volume de constituições no cômputo do ano, os três distritos sofreram quebras homólogas.
A quebra no dinamismo empresarial assume contornos particularmente graves no Alentejo Central, com o distrito de Évora a posicionar-se como a segunda região do país onde a criação de novas empresas mais tombou, registando uma derrapagem de 24%, logo atrás da Madeira, que recuou 25%. Entre os diferentes ramos económicos, o setor da Construção e Obras Públicas foi a única exceção nacional ao panorama recessivo, conseguindo crescer 5,7%, em claro contraste com as fortes contrações verificadas na fileira da eletricidade, gás e água, que caiu 37%, e na agricultura, caça e pesca, um setor vital para a economia alentejana que viu o nascimento de novos projetos recuar 31%.
