A Autoridade da Concorrência (AdC) proibiu a aquisição da Remolcanosa Portugal pelo Grupo Boluda. A operação criaria um monopólio num serviço de procura obrigatória no maior porto de águas profundas de Portugal. A decisão foi comunicada a 6 de maio, após uma investigação aprofundada iniciada em dezembro de 2025.
As duas empresas são as únicas prestadoras de serviços de reboque e amarração a navios que não transportam mercadorias perigosas a granel no Porto de Sines. A fusão eliminaria “a única concorrência efetiva existente”, transformando um duopólio num monopólio total, num setor com “elevadas barreiras à entrada” e “procura de natureza obrigatória” — os navios são legalmente obrigados a contratar estes serviços para entrar no porto.
O Grupo Boluda apresentou dois pacotes de compromissos para tentar viabilizar o negócio, considerados pela AdC “não adequados nem suficientes” para resolver os problemas de concorrência. O argumento de que a concessão atual em Sines terminará e haverá um novo concurso público foi igualmente rejeitado, por se tratar de “cenários incertos quanto ao âmbito, calendarização e resultado”.
O Porto de Sines é o principal porto de contentores de Portugal e um dos maiores da fachada atlântica europeia, com expansão em curso para acolher projetos de hidrogénio verde, GNL e terminais logísticos de grande escala. A AdC considerou que permitir o controlo exclusivo dos serviços de reboque por um único operador criaria uma vulnerabilidade sistémica numa infraestrutura estratégica de crescente importância nacional.
