A Universidade de Évora acolhe o projeto Digitálias, uma iniciativa de investigação artística desenvolvida no âmbito do Centro de História de Arte e Investigação Artística (CHAIA), que cruza arte multimédia, tecnologia digital e intervenção social, com o objetivo de capacitar mulheres sobreviventes de violência doméstica, promover a igualdade de género e sensibilizar a comunidade para este problema social.
Sediado e financiado pelo CHAIA da Universidade de Évora, o projeto é desenvolvido em parceria com a Associação Ser Mulher e integra o Coletivo Artístico Digitálias, constituído maioritariamente por mulheres acolhidas em casas de abrigo, pela equipa técnica da associação, bem como por estudantes e antigos alunos da Escola de Artes da Universidade de Évora, contando ainda com a colaboração pontual de outros artistas. O trabalho realizado nos laboratórios de arte multimédia tem sido apresentado através de plataformas digitais, exposições e publicações de acesso livre, tendo já sido acolhido e divulgado por diversas instituições culturais, científicas e autárquicas.
De acordo com Teresa Veiga Furtado, coordenadora do projeto, artista e professora associada da Escola de Artes da Universidade de Évora, o Digitálias tem como principal objetivo dotar as participantes de competências digitais e multimédia, promovendo a sua inclusão social e profissional, ao mesmo tempo que utiliza a criação artística como instrumento de sensibilização para a violência doméstica e de combate às desigualdades de género. A responsável sublinha o caráter inovador da iniciativa, ao associar a capacitação tecnológica à divulgação pública das obras em ambientes digitais acessíveis.
O projeto assenta em laboratórios artísticos cocriativos, baseados em metodologias de arte participativa, criação colaborativa e escuta empática, onde são exploradas diferentes linguagens visuais, digitais, multimédia e performativas. Segundo a coordenação, este processo tem permitido uma capacitação emocional das participantes, contribuindo para a desconstrução de estereótipos de género e para a expressão das experiências associadas à violência doméstica, assumindo igualmente uma dimensão preventiva.
A dimensão social do Digitálias é reforçada pela parceria com a Associação Ser Mulher, entidade responsável pelo acolhimento e acompanhamento das mulheres envolvidas. Para a associação, a intervenção através da arte tem-se revelado uma componente diferenciadora, criando espaços de liberdade, partilha e reconhecimento público, onde as participantes assumem um papel ativo enquanto criadoras e protagonistas. O projeto privilegia uma abordagem visual marcada pela cor e por mensagens de superação, reforçando a arte como instrumento de cidadania, empoderamento e promoção dos direitos humanos.
Imagem de cig.gov.pt
