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Streaming e iGaming em Portugal já está no “pico” das subscrições

 

No arranque de 2025, a proporção de portugueses com pelo menos uma subscrição ativa de vídeo em streaming atingiu um novo máximo, 42,2%. É um ganho de 1 ponto percentual face a 2024, sinal de um mercado consolidado, mas a crescer devagar, segundo BStream, da Marktest.

Os dados confirmam o momento recorde e o protagonismo das grandes marcas internacionais no top de preferências. Além disso, as intenções de aderir a novos serviços mostram arrefecimento. O estudo aponta cerca de 559 mil portugueses a ponderar uma nova subscrição no curto prazo, um mínimo de dois anos.

É um número relevante, mas, para um mercado com elevada penetração, sugere maturidade e maior seletividade na carteira de entretenimento doméstico. Mas o abrandamento não invalida o dinamismo, apenas indica que o foco das plataformas passa a ser retenção e diferenciação, mais do que aquisição pura.

Esta nova seletividade também se explica pela concorrência do entretenimento digital móvel. Depois do trabalho, há quem divida o serão entre séries e outras experiências interativas no telemóvel, de jogos casuais a títulos competitivos e aplicações temáticas.

Um poker app, por exemplo, convive com o streaming na disputa pelo tempo de lazer do utilizador, assim como o próprio setor de iGaming. E os números de ambos os setores impressionam.

Mais largura de banda, mais exigência

A infraestrutura ajuda a compreender o pico das subscrições. No 1º trimestre de 2025, a banda larga fixa alcançou 88,9 acessos por cada 100 famílias, com a fibra ótica como principal forma de acesso. Ao mesmo tempo, o 5G expandiu-se.

Havia cerca de 14 mil estações distribuídas por 308 concelhos e 74% das freguesias tinham estações 5G, ganhos que melhoram a qualidade do streaming experience e reduzem a latência nas plataformas de jogos online. Esta base técnica, no entanto, não garante crescimento ilimitado.

Ao democratizar o acesso a vídeo HD/4K e a experiências interativas, também pulveriza a atenção. O mesmo utilizador que ontem trocava a televisão por uma série, hoje salta entre o episódio, o “battle pass” do jogo, um directo nas redes e uma app especializada.

O resultado é uma grelha de consumo multiplataforma, com impacto direto na frequência de visualização e na disposição para adicionar mais um serviço pago. Do lado do gaming e do iGaming, os números em Portugal ajudam a traçar o retrato de um mercado que também amadureceu.

No 1º trimestre de 2025, a receita bruta do jogo online foi de €284,7 milhões, abaixo do máximo do trimestre anterior (Q4-2024, €323 milhões), mas ainda 9% acima do período homólogo, um recuo trimestral, não um colapso estrutural, segundo os dados do SRIJ.

Num horizonte mais longo, o mercado nacional mantém dimensão relevante e com tendência de estabilização. Várias análises destacam a predominância do casino online na composição de receitas e um crescimento desacelerado, mas estrutural até ao final da década.

Para o consumidor, isto traduz-se em mais oferta e qualidade técnica, design responsivo, latências mais baixas, pagamentos instantâneos, que concorrem diretamente com o tempo dedicado ao streaming.

Orçamentos de lazer, tempo de ecrã e quem lidera

À medida que os serviços digitais se acumulam, o agregado familiar otimiza. Mantém duas ou três subscrições e vai rodando conforme catálogos, temporadas e promoções. As plataformas de streaming sabem-no e respondem com bundles com telecomunicações, planos com publicidade e ofertas modulares.

Do lado do gaming, a resposta são temporadas, passes, eventos ao vivo e experiências “live service” que fidelizam. O denominador comum é o tempo. Cada hora passada a completar desafios, a testar uma nova mecânica ou a experimentar uma app temática é uma hora a menos disponível para streaming.

A digitalização do país reforça essa concorrência. Em 2025, os relatórios nacionais e internacionais descrevem um Portugal altamente conetado, com uso intenso de Internet e elevada penetração móvel, e isso empurra hábitos on-the-go, de sessões curtas e segmentadas entre apps, vídeo, áudio e social.

No curto prazo, Netflix, Disney+, Max, Prime Video e Apple TV+ continuam no topo das intenções de subscrição em Portugal, sustentadas por franchises reconhecidas, algoritmos de recomendação eficazes, integração com ecossistemas e presença em pacotes promocionais.

O efeito de rede e a notoriedade contam. Quando o consumidor desliga de uma plataforma, regressa por causa de uma temporada-evento, de um filme-acontecimento ou de uma nova modalidade de preço. Para as challengers, a equação é outra.

Nichos editoriais, conteúdo local e parcerias tornam-se imprescindíveis. E mesmo os líderes precisam de acertar nas janelas de lançamento e no preço num contexto em que a inflação recente tornou a despesa digital mais escrutinada.

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