A Câmara Municipal de Gavião, localizada no distrito de Portalegre, decidiu aumentar a verba atribuída às associações de caçadores locais para tentar travar a proliferação de javalis no território alentejano. A medida foi comunicada num encontro com o conselho cinegético municipal, que envolve nove grupos do setor, como resposta direta à exclusão de Gavião do recente projeto-piloto nacional do Governo para controlo desta espécie.
O líder do município, António Severino, detalhou que o subsídio por cada montaria subirá dos 250 para os 300 euros, sendo financiado um máximo de quatro montarias por organização. Apesar de o concelho ter ficado de fora dos 15 distritos selecionados pelo Ministério da Agricultura para o plano estatal — que conta com uma dotação de 500 mil euros até maio de 2027 —, a autarquia garante que continuará a pressionar a tutela pela sua inclusão, assegurando, para já, o apoio financeiro direto a quem atua no terreno.
Para além do reforço financeiro, a autarquia propôs a cedência de um trator para apoiar as associações em tarefas agrícolas nas reservas cinegéticas, visando a melhoria do habitat e a gestão do território. Sobre esta estratégia, o vereador Júlio Churro Catarino sublinhou que a eficácia da contenção da densidade animal depende estritamente do trabalho conjunto e coordenado entre o município, os caçadores, os agricultores e os organismos do Estado.
A nível nacional, o crescimento descontrolado da população de javalis gerou prejuízos agrícolas na ordem dos oito milhões de euros em 2024, afetando sobretudo culturas de milho e pastagens. O programa do Governo, gerido pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), abrange mais de 1.300 zonas de caça em 65 concelhos, prevendo recompensas para as áreas que superem as suas médias históricas de capturas, sem que isso invalide o pagamento de indemnizações aos produtores lesados.
