O roubo de componentes automóveis disparou em Portugal no primeiro semestre de 2026, com o Alentejo a registar uma das subidas percentuais mais alarmantes do país. Segundo um alerta da Guarda Nacional Republicana, este crime cresceu cerca de 19% em termos nacionais, fixando uma média diária que quase atinge as quatro ocorrências. No total, a polícia contabilizou 685 crimes desta natureza nos primeiros seis meses do ano, superando largamente as 577 queixas do mesmo período de 2025. O grande motor desta vaga criminosa é a escalada de preço, nos mercados mundiais, dos metais raros e valiosos escondidos no interior dos catalisadores, como o ródio, a platina e o paládio. Esta alta valorização, muito ligada à falta de extração mineira nos países produtores, atrai redes organizadas que usam rebarbadoras portáteis a bateria para cortar a peça em menos de um minuto, escoando o material em circuitos de receitação ilegal.
Embora o maior número absoluto de casos se concentre no litoral — com Setúbal a liderar a lista com 135 crimes, seguida pelo Porto com 113, Lisboa com 93 e Aveiro com 59 —, o crime mostra agora uma forte tendência de deslocação para o interior. O Alentejo surge em grande destaque neste cenário de expansão geográfica, com o distrito de Portalegre a registar um aumento vertiginoso de 200% nos furtos. Esta subida impressionante demonstra a elevada mobilidade dos assaltantes, que aproveitam o isolamento de certas zonas da região alentejana para atuar. Outras regiões como Viseu e Leiria também sofreram aumentos expressivos. Do volume total de ocorrências nacionais de furtos em veículos, 178 correspondem especificamente a processos-crime por roubo de catalisadores.
Para travar estas redes criminosas, que muitas vezes operam com ramificações além-fronteiras, a GNR tem vindo a reforçar o patrulhamento, tendo realizado seis detenções no primeiro semestre deste ano, após as oito registadas em 2025. As autoridades intensificaram a fiscalização rodoviária a carros suspeitos de transportar ferramentas de corte e focaram a atenção no controlo apertado a sucatas, oficinas e gestores de resíduos. O objetivo é exigir documentos que comprovem a origem legal de todos os metais entregues para reciclagem, lembrando que a compra ou venda destas peças sem fatura constitui crime de receitação.
A GNR aconselha os proprietários a redobrarem os cuidados em parques isolados ou de permanência prolongada. Como prevenção, recomenda-se estacionar em garagens fechadas ou locais vigiados e iluminados, além de sugerir o uso de blindagens metálicas protetoras ou alarmes de inclinação. Como o corte do catalisador gera um ruído metálico muito forte durante cerca de um minuto, a polícia apela a que qualquer pessoa que note barulhos ou movimentos suspeitos junto a automóveis ligue de imediato para o 112 ou para o posto policial local. Em caso de assalto, a queixa deve incluir todos os dados da viatura e do componente roubado.
