O Instituto Politécnico de Beja regista um marco histórico na sua trajectória académica: o Doutoramento em Ciências do Desporto, o primeiro programa doutoral da história da instituição, recebeu 71 candidaturas para as 20 vagas disponíveis, esgotando na primeira fase e dispensando qualquer abertura de segunda fase de candidaturas. O programa resulta de um consórcio entre seis instituições de ensino superior politécnico — os institutos politécnicos de Beja, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Santarém e Viana do Castelo —, foi acreditado pela A3ES e conta com o enquadramento científico do SPRINT — Sport Physical Activity and Health Research & Innovation Center. As matrículas dos candidatos colocados decorrem entre 27 e 30 de julho, exclusivamente em formato online.
O doutoramento abrange áreas como o exercício físico e saúde, o rendimento desportivo, o comportamento humano, a inovação tecnológica aplicada ao desporto e a promoção de estilos de vida activos e saudáveis. O modelo de consórcio adoptado permite reunir massa crítica de investigadores e partilhar recursos entre as instituições parceiras, oferecendo aos doutorandos um ambiente académico alargado sem que nenhuma das instituições tenha de suportar isoladamente as exigências de um programa deste nível. Uma taxa de procura superior a três candidatos por vaga é, por qualquer critério, uma demonstração inequívoca de que o mercado académico e profissional aguardava uma resposta formativa desta natureza.
Para o IPBeja e para o Alentejo, o significado desta conquista ultrapassa o estritamente académico. Numa região como o Baixo Alentejo, onde a fixação de população qualificada constitui um dos maiores desafios estruturais, a existência de um programa doutoral a funcionar localmente representa uma âncora concreta: mantém investigadores ligados ao território, estimula redes de colaboração com entidades e empresas da região e enriquece o ecossistema de conhecimento de uma das zonas do país mais marcadas pelo despovoamento e pela saída de talento. O primeiro doutoramento da história do IPBeja é, acima de tudo, uma afirmação de que Beja e o Alentejo também produzem ciência — e que o fazem ao mais alto nível.
