Tribuna Alentejo
ze_carlos
Colunistas

O poeta que só conseguia escrever em prosa

Américo Vespucci teve sempre talento natural para a escrita. Com apenas um ano de idade já rascunhava pequenas letrinhas em pergaminhos e papel artesanal da altura. Quando crescesse, tornar-se-ia poeta, entre outras coisas. Bem, as outras coisas serão aquelas pelas quais ficou mais conhecido, mas essas, para o nosso assunto imediato, desta crónica, neste final de semana, não tem intervenção direta e, consequentemente, não a referiremos.

Américo amava a poesia. Fazia rimas perfeitas desde pequenino. Ele conhecia os autores todos, sabia os grandes de cor. Dante, Petrarca, Homero e tantos outros. Américo era italiano e por isso escrevia na sua língua, com alguns tons de latim. A poesia que imaginava escrever, na sua cabeça, era linda e perfeita. Para ele, tudo era grandioso, tal como a sua paixão pelas viagens. Américo viajaria muito pelo mundo, principalmente pelo Ocidente, deixaria a sua marca em muitos dos lugares por onde passou, conheceria muitas pessoas… trabalharia em sítios diferentes, incluindo Portugal e Espanha.

Américo vivia a poesia como

Quem o conheceu, talvez nunca tenha percebido a sua enorme capacidade de escrita. Como já vos disse, sabia de cor todos os poetas, conhecia as rimas todas mas… e porque há sempre um mas, não sabia escrever em verso.

Apesar de todos os esforços, a sua poesia só podia ser descrita como prosa poética. Por muito que se esforçasse, não conseguia ir além das palavras num texto belo, mas em

Prosa. Américo, durante a adolescência, acreditava que o seu futuro seria poeta e teria o seu nome amplamente divulgado pelo mundo, associado à sua maravilhosa literatura.

Quando se apercebeu que afinal nunca conseguiria ser um poeta conhecido em todo o mundo da altura, dedicou-se a outras coisas.

Curiosamente, como tantos de nós, os sonhos de grandiosidade poética acabaram por se esvair e tornaram-se residuais. Américo decidiu viajar. Ficaria conhecido por isso. Talvez se tenha perdido um grande poeta, talvez se tenha ganhado um nome. Talvez esta biografia seja ficção. Talvez sim, talvez não.

Artigos relacionados

O BCE sobe os juros. E agora?

Martinho Murteira

As democracias

Duarte Carrasquinho

CR7 e mais 10!

Tiago Salgueiro

Nas exéquias dum ido Ministério dos Negócios Estrangeiros

Frederico Carvalho

O 26 de abril

Duarte Carrasquinho

A inflação que não aparece nos discursos

Martinho Murteira