9 Março 2016      14:54

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ISTO TAMBÉM É DESENVOLVIMENTO!

"ECONOMICAMENTE FALANDO"

Depois de duas semanas com crónicas meio desviadas da Economia (e se há material para isso em Portugal…), volto hoje a focar-me na minha querida ciência. Ganhei leitores com as últimas duas crónicas, se calhar agora perco-os todos (numa crónica não dá para pôr emoticons, assumam que fiz um sorriso agora).

Que o nosso país está em crise é inegável. Nem sequer o vou contestar. Uma crise que o é a vários níveis: económica, um pouco também social, e também ao nível dos valores. Existem muitas dificuldades económicas, existe muita gente com dificuldades para conseguir satisfazer as necessidades básicas (e refiro-me aqui, claramente, à aquisição de bens alimentares), existe muita gente que perdeu completamente a cabeça em virtude… sabe-se lá do quê (só nas últimas duas semanas contam-se pelo menos a morte de três crianças, notícias que têm chocado o país). Volta e meia oiço o velho pregão “isto no tempo do Salazar é que era!”.

É claro que não vivi no tempo do Salazar. Sei o suficiente de História para saber que há argumentos a favor e outros contra. Assim de repente, as contas estavam relativamente mais acertadas, como Economista, ao que parece, até tinha competências, na altura o respeito que existia era outro. E se calhar não é muito difícil encontrar mais alguns argumentos a favor. No entanto, também não será difícil encontrar argumentos contra, sendo a censura e tudo o que daí era resultante como o principal. Sendo que, em minha opinião, será argumento suficiente para desmontar todos os outros. Em todo o caso, como referi, não vivi nessa época e o contexto histórico era totalmente diferente. E não vou dissertar sobre isso.

Na realidade vou apresentar factos que mostram o sinal da evolução de Portugal ao nível do desenvolvimento. E estes factos não têm como objetivo dizer que a culpa dos números baixos de antigamente eram da ditadura. Tão só serve para que as pessoas percebam que o hoje, apesar dos problemas que temos, dá condições às pessoas bem diferentes do que as condições de antigamente.

No início da década de 1970, a esperança média de vida em Portugal era de 67,1 anos (64 para os homens e 70,3 para as mulheres). Passadas quase quatro décadas e meia, os últimos dados disponíveis (2013) mostram que a esperança média de vida em Portugal é superior a 80 anos (cerca de 77 para os homens e 83 para as mulheres). A taxa de mortalidade infantil baixou de 77,5 por 1000 nascimentos na década de 1960 para 2,8 por mil nascimentos em 2014. Em 1960 tínhamos mais de 20% de analfabetos, hoje são menos de 5%. Em 1960 menos de 1% das crianças frequentavam o pré-escolar, hoje estamos quase a tocar nos 90%. Em 1970, apenas 32,3% das crianças viviam com duche em casa, hoje são 98%. E podíamos continuar com estatísticas do género.

É óbvio que ainda há 2% de crianças que não têm duche em casa, ainda há 10% de crianças sem acesso ao pré-escolar, etc. etc. etc. Há números que nos obrigam a pensar, uma vez que temos, por exemplo, taxas de abandono escolar bem acima da média Europeia.

As estatísticas mostram também que nos últimos anos alguns destes indicadores recuaram, até porque a condição de criança é demasiado afetada pela crise. E hoje temos níveis de pobreza infantil (e/ou de risco para tal) demasiado absurdos. Eu não discuto isso! E acho que os sucessivos governantes deveriam ser chamados à razão. Mas também não acho normal que se compare com o tempo da ditadura… Onde praticamente todos nós temos relatos dos nossos pais (crianças da altura) a referir que tinham uma sardinha para dividir pelas pessoas que moravam em casa. E hoje, numa sardinhada, vejam-se quantas sardinhas cada pessoa come…

Os números que apresentei não são os únicos que significam desenvolvimento. Mas também são indicadores de tal…

 

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