A Infraestruturas de Portugal (IP) está a estudar uma nova linha férrea para Sines que prevê tráfego misto — passageiros e mercadorias —, confirmou o Ministério das Infraestruturas e Habitação. O estudo decorre ao abrigo do Plano Ferroviário Nacional, aprovado em abril de 2025, e tem como objetivo aumentar a capacidade de transporte a partir do Porto de Sines e criar uma alternativa à atual linha, que tem quase 90 anos e é exclusivamente de mercadorias.
O serviço de passageiros na atual Linha de Sines foi desativado em 1990 e não será reativado, segundo o Ministério, devido às obras realizadas nos quilómetros finais de acesso ao porto. O presidente da Câmara Municipal de Sines, Álvaro Beijinha, critica a situação: “Sines, até 1990, tinha comboio de passageiros. Passados 36 anos, continuamos a não ter. Como é que se desinveste num local que tem as infraestruturas mais importantes para o país?”
Do lado portuário, o presidente da Administração dos Portos de Sines e do Algarve, Pedro do Ó Ramos, sublinha o absurdo da rota atual das mercadorias, obrigadas a passar pelo Entroncamento: “Não faz sentido. Podemos chegar a Madrid três horas e meia mais rápido, e isso faz toda a diferença.”
Uma boa notícia surge entretanto para o setor ferroviário do Alentejo: a inauguração da nova ligação Évora–Elvas–Espanha deverá ocorrer no início de 2027, com testes e ensaios de certificação já em curso. A abertura desta linha vai transformar a competitividade do Porto de Sines como porta de entrada de mercadorias europeias vindas do Atlântico.
