O prometido corredor rodoviário de alta capacidade entre Sines e Beja continua por concluir, mantendo isolada uma das principais vias de escoamento de mercadorias do país. Projetada originalmente para ser a A26 com uma extensão total de 84 quilómetros, a autoestrada tem atualmente apenas 10 quilómetros construídos, terminando abruptamente numa rotunda na Malhada Velha, no concelho de Ferreira do Alentejo. Este desfecho caricato deixa a infraestrutura a cerca de 40 quilómetros do seu destino final, forçando o tráfego pesado a circular por troços fragmentados e sem continuidade.
A paralisação crónica desta obra, que se arrasta há anos, gera forte apreensão no tecido empresarial da região. As empresas locais dependem criticamente deste eixo estratégico para canalizar de forma rápida e segura a carga movimentada no Porto de Sines em direção ao interior e à fronteira com Espanha. A ausência de um perfil uniforme de autoestrada encarece a logística, prolonga os tempos de viagem e reduz a competitividade das empresas alentejanas num mercado global.
O plano rodoviário original visava cruzar a Autoestrada 2 (A2), facilitando o acesso ao Aeroporto de Beja e potenciando os investimentos agendados para a região. No entanto, a realidade atual resume-se a este troço incompleto que liga o nó de Grândola Sul à referida rotunda. Para lá desse ponto, qualquer evolução na mobilidade regional permanece dependente de futuras intervenções no IP8 e do desenvolvimento de novas variantes urbanas desenhadas para retirar os camiões do interior das localidades. Sem uma data definida para a retoma ou conclusão integral dos trabalhos, a A26 mantém-se como um símbolo das assimetrias territoriais e das promessas adiadas no Alentejo.
