A pressão sobre a população de javalis no Parque Natural da Arrábida vai registar um aumento significativo. Segundo dados do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), as previsões apontam para o abate de 600 a 700 javalis, um número significativamente superior aos 400 a 600 animais registados no ano anterior.
As intervenções de correção da densidade populacional intensificaram-se nos últimos meses através de métodos diversificados. As autoridades recorreram a operações de caça controlada, esperas noturnas e instalação de armadilhas em pontos estratégicos da serra. No total, o ICNF já autorizou 85 ações de controlo populacional com o objetivo de travar o impacto da espécie na região.
Os prejuízos estendem-se além das tradicionais zonas agrícolas, onde os estragos em culturas e terrenos são severos. A crescente aproximação dos javalis a áreas habitacionais e a praias muito frequentadas gerou novos alertas devido ao risco acrescido de acidentes rodoviários e ao contacto direto com humanos. A busca por alimento fácil tem motivado esta deslocação constante para fora do habitat natural.
Apesar do reforço nas ações de abate, o ICNF esclarece que a população de javalis na Arrábida permanece numerosa e estável. Especialistas em conservação da natureza alertam para a necessidade de manter uma monitorização contínua do território, assegurando que o controlo cinegético garante o equilíbrio ecológico e responde de forma proporcional à evolução da espécie.
