Um homem morreu carbonizado e o filho ficou em estado grave na sequência de um acidente ocorrido às 6 horas desta quarta-feira na Estrada Nacional 387, ao quilómetro 10, em Faro do Alentejo, no concelho de Cuba, distrito de Beja. O veículo em que pai e filho seguiam embateu num javali, saiu da estrada e incendiou-se. O filho conseguiu sair do automóvel, mas o pai ficou encarcerado no interior e morreu carbonizado. O ferido foi transportado para o Serviço de Urgência do Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja, e o corpo da vítima mortal foi encaminhado para o Gabinete Médico-Legal para autópsia. A EN387 esteve encerrada durante várias horas para operações de socorro, investigação por parte do Núcleo de Investigação de Crimes em Acidentes de Viação (NICAV) e remoção do veículo e limpeza da via.
O acidente recorda um perigo real e crescente nas estradas do interior alentejano. O Baixo Alentejo, com as suas extensas herdades, montados e zonas de caça, é um dos territórios com maior densidade de javalis em Portugal — e as suas estradas nacionais e municipais, frequentemente sem iluminação e com traçados sinuosos, são palco recorrente de colisões com fauna selvagem, sobretudo nas primeiras horas da manhã e ao anoitecer, quando os animais se movimentam com maior frequência. Um javali adulto pode pesar entre 80 e 150 quilogramas, e a colisão a velocidade de estrada nacional equivale a embater num obstáculo sólido a alta velocidade — com consequências que esta madrugada em Faro do Alentejo se revelaram irreversíveis.
As autoridades e as associações de segurança rodoviária alertam com regularidade para o risco de colisão com animais selvagens em zonas de montado e de caça, recomendando velocidade moderada e redobrada atenção nas horas de menor luminosidade. O acidente desta madrugada é um lembrete brutal de que esse alerta merece ser levado a sério por todos os que circulam nas estradas do interior alentejano — especialmente ao amanhecer, quando a luz ainda não chegou à via e os animais permanecem activos.
