Tribuna Alentejo
ministro
Política Nacional

Governo levanta restrições à agricultura em Odemira

O Governo levantou algumas restrições à agricultura devido ao aumento da cota da barragem de Santa Clara, no concelho de Odemira, mas o presidente da autarquia manifestou preocupação, defendendo a gestão sustentável.

De acordo com a agência Lusa, num despacho publicado esta segunda-feira em Diário da República (DR), o Ministério da Agricultura e Pescas aprovou medidas para a segurança hídrica do Aproveitamento Hidroagrícola do Mira (AHM) na campanha de rega de 2025 e anos seguintes.

Com as medidas agora aprovadas, o Governo introduz alterações a um despacho de 19 de março de 2024 que determinou um conjunto de interdições à área beneficiada pelo AHM, excluindo o Bloco da Várzea da ribeira de Corte Brique.

As alterações implementadas neste novo despacho permitem “uma gestão flexível na exploração agrícola”, pode ler-se no DR.

Segundo o Governo, é permitida a instalação adicional de culturas anuais alimentares até cinco hectares face a 2024 e a instalação adicional de culturas permanentes alimentares e pastagens e forragens, numa percentagem que não pode ultrapassar 5% e limitada a cinco hectares adicionais por beneficiário.

De acordo com a página na Internet da Associação de Beneficiários do Mira, a barragem de Santa Clara está a 59% do seu nível de armazenamento, ou seja, armazena atualmente 283.729.230 metros cúbicos de água (a capacidade máxima é 485 milhões de metros cúbicos).

Hélder Guerreiro, presidente da Câmara de Odemira, uma das entidades que, em 2023, assinou o Pacto para a Gestão Sustentável da Água, disse ver “com preocupação a tomada de decisões unilaterais” por parte do Governo em relação à barragem de Santa Clara.

“Convinha que [essas decisões], tal como no passado, pudessem ser coletivas”, para evitar regressar “aos níveis de armazenamento muito baixos” da albufeira, defendeu.

Ainda segundo o autarca, a câmara propôs, “antes do final de janeiro” deste ano, “que as [diferentes] entidades” voltassem a reunir “no sentido de olhar para o que estava a acontecer na albufeira” e “definir aquilo que seriam as dotações para esta campanha de rega”.

Com este despacho, salientou o responsável, o ministro da Agricultura e Pescas “decidiu proferir um despacho sem falar com os parceiros a nível local”, sendo “da sua responsabilidade estas medidas”.

Por isso, o autarca disse que o município de Odemira vai questionar o Governo sobre a adoção destas medidas para o Aproveitamento Hidroagrícola do Mira.

“Vamos questionar qual é o racional, a que propósito, que perspetivas o Ministério da Agricultura tem sobre o impacto do território com estas medidas, o que é que pretendeu e com quem é que falou”, precisou.

O Pacto para a Gestão Sustentável da Água foi celebrado em 2023 entre a Agência Portuguesa do Ambiente, a Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, a Câmara de Odemira, a Associação de Beneficiários do Mira e a Águas Públicas do Alentejo.

No despacho, o Governo indicou que este pacto “refere a necessidade de implementar “uma gestão sustentável da água no empreendimento, muito concretamente que, no prazo de cinco anos, seja possível recuperar um modelo de gestão sustentável à cota 116 metros”.

“Em março de 2025, foi atingido e ultrapassado este limiar, muito antes do prognosticado ano de 2028. Nesta conformidade, existem, atualmente, condições para promover uma campanha de rega menos restritiva”, pode ler-se no documento publicado em DR.

 

Fotografia de jornaldenegocios.pt

Artigos relacionados

Beja e Évora em projeto-piloto de caça ao javali. Estado vai pagar 70 euros por cada fêmea abatida e 50 euros por cada macho

Redação Alentejo

Freguesias em contestação com o Governo e contra o Orçamento do Estado, encerram portas dia 4 de novembro

Redação Alentejo

PAN defende registo nacional de todos os agressores de animais

Redação Alentejo

Fusão Galp-Moeve: Governo aceita negócio mas exige continuidade da refinaria de Sines

Redação Alentejo

Preço do combustível ameaça helicóptero de emergência de Évora

Redação Alentejo

Greve nacional deixa muitas escolas fechadas no Alentejo

Redação Alentejo