A Força Aérea Portuguesa confirmou que Alter do Chão, no Alto Alentejo, é a única localização em análise para a relocalização do Campo de Tiro de Alcochete, infraestrutura com cerca de 7.500 hectares que terá de ser transferida devido à construção do novo Aeroporto Luís de Camões. O anúncio foi feito pelo coronel Carlos Paulos, em reunião da Assembleia Municipal de Alter do Chão, perante uma sala cheia de munícipes.
O representante da Força Aérea explicou que as atividades do campo de tiro incluem tiro direto e indireto, tiro ar-solo com metralhadoras e lançamento de bombas — na maioria inertes —, bem como exercícios militares de forças destacadas para missões no estrangeiro, com utilização também pela PSP, GNR e Marinha. Paulos garantiu ainda que “não há perigo de haver contaminação do lençol freático”, uma vez que todas as munições são inativadas e retiradas do solo, e que o gasoduto existente na área será tido em consideração.
O presidente da Câmara Municipal de Alter do Chão, Francisco Miranda, admitiu não ter “elementos suficientes” para avaliar se a infraestrutura trará mais vantagens do que prejuízos, aguardando uma visita ao campo de tiro de Alcochete agendada para 6 de maio. O autarca disse acreditar que o campo de tiro e a Barragem do Pisão “reúnem condições” para que o concelho alcance novos patamares de desenvolvimento.
A transferência foi anunciada pelo ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, a 11 de março, que referiu que a instalação levará para Alter do Chão cerca de duzentos militares e respetivas famílias, com impacto no comércio, serviços e escolas locais. O projeto aguarda a conclusão dos estudos e a realização do estudo de impacte ambiental. Os agricultores das zonas indicadas para a nova construção deverão ser alvo de expropriações.
Imagem de Força Aérea Portuguesa
