O Ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, e o presidente da Embraer SA, Bosco da Costa Júnior, assinaram, esta quarta-feira, nas instalações da OGMA, uma carta de interesse para a instalação de uma nova unidade industrial em Beja, destinada ao fabrico do modelo A-29N Super Tucano.
De acordo com o Diário de Notícias, o anúncio desta nova fábrica coincidiu com a entrega das primeiras cinco aeronaves (de um total de 12 encomendadas) à Força Aérea Portuguesa.
Segundo a mesma fonte, Portugal torna-se, assim, o primeiro país europeu a operar esta versão específica da aeronave, configurada segundo os padrões técnicos da NATO.
O Ministério da Defesa adiantou que o projeto representa um investimento global de 200 milhões de euros na modernização da Força Aérea, sendo que um dos pontos centrais do acordo é a forte componente nacional: 75 milhões de euros serão canalizados diretamente para empresas portuguesas, responsáveis pelo “upgrade” e reconfiguração dos aviões.
Além disso, estas aeronaves trazem uma capacidade inovadora: a luta anti-drone. Segundo Nuno Melo, esta escolha técnica – validada pela Força Aérea – responde aos novos cenários de conflito moderno e reforça a base industrial de defesa no país, que só em 2025 viu nascer 60 novas empresas no setor.
Contudo, a nova fábrica em Beja não servirá apenas Portugal. A linha de montagem está projetada para atender à eventual procura de outras nações europeias através de negociações da empresa brasileira governo a governo. Se tal se concretizar, será possível a criação de emprego qualificado no interior do país, sublinha o Executivo,
Note-se que este novo projeto em Beja representa uma iniciativa distinta das antigas fábricas em Évora, encerradas em maio de 2022 e transferidas para a multinacional espanhola Aernnova. Esta nova fábrica foca-se na montagem final e produção da variante militar “N” (NATO) do Super Tucano, consolidando o Alentejo como o principal polo aeronáutico do país.
Fotografia de observador.pt
