Críticas ao Governo sobem de tom. Portalegre pede reunião urgente para discutir campo de tiro em Alter
A Assembleia Municipal de Portalegre aprovou, com caráter de urgência, uma moção que exige uma reunião com o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, para esclarecer a planeada transferência do Campo de Tiro da Força Aérea Portuguesa (FAP) para o Alto Alentejo.
A proposta, apresentada pela coligação PSD/CDS-PP, contou com o voto favorável do PS, a abstenção da CLIP e a oposição da CDU e do Chega. O documento oficial será enviado ao primeiro-ministro Luís Montenegro, à tutela da Defesa e aos restantes municípios do distrito, pretendendo que a concertação de posições seja efetuada através da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA). A decisão surge no seguimento do anúncio feito pelo Governo em março de 2026, que escolheu o concelho de Alter do Chão para acolher a infraestrutura militar de 7.500 hectares, libertando os terrenos de Alcochete para a construção do futuro Aeroporto Luís de Camões.
Esta tomada de posição reflete o clima de apreensão crescente na região, cruzando-se diretamente com os alertas e preocupações anteriormente avançados pelo jornal Tribuna Alentejo. A eventual sobreposição da estrutura militar com o traçado do gasoduto Monforte–Leiria já levou os deputados do Partido Socialista a exigir explicações urgentes devido aos riscos de segurança associados. Adicionalmente, as forças partidárias locais têm criticado a falta de estudos técnicos e ambientais, com a CDU a acusar o Governo de usar o tema como uma cortina de fumo para camuflar o desinvestimento crónico na saúde e nas acessibilidades rodoviárias do distrito.
O descontentamento estende-se além-fronteiras de Alter do Chão e unifica os autarcas vizinhos na defesa do setor agrícola e pecuário. O presidente da Câmara Municipal de Monforte, Miguel Rasquinho, já manifestou publicamente o seu receio de que o perímetro militar ocupe uma “faixa significativa” do seu concelho, sublinhando que o projeto ameaça a perda de postos de trabalho, a expropriação de terrenos geracionais e a quebra da atratividade económica da região. Perante a ausência de uma Avaliação de Impacte Ambiental e de garantias de salvaguarda para as explorações rurais, os eleitos locais de Portalegre exigem agora que a presidente da autarquia, Fermelinda Carvalho, obtenha de imediato toda a documentação do dossiê técnico junto do Ministério da Defesa para travar o impacto socioeconómico negativo no território.
