A crise política na Câmara Municipal de Beja subiu de tom com a Distrital de Beja do Bloco de Esquerda (BE) a contestar duramente o lançamento de um concurso público internacional para a limpeza urbana, um passo que classifica como a continuidade do “caminho de privatização” iniciado pelo anterior executivo do PS. A decisão, tomada pela coligação de direita (PSD, CDS e IL) que lidera o município, expôs as fragilidades do atual xadrez político local e motivou duras críticas do BE à CDU. Os bloquistas lembraram os argumentos dos comunistas para terem votado contra esta proposta específica, mas aproveitaram o momento para questionar frontalmente a decisão da CDU de integrar e aceitar pelouros num executivo de direita. Para o BE, o trabalho desenvolvido pela CDU nas áreas da Cultura, Turismo e Património acaba por ser ensombrado no momento das decisões estruturantes, onde a direita demonstra “saber muito bem o que quer” e conta com o aval do PS e do Chega. Perante este cenário de rutura, o Bloco de Esquerda declarou que o acordo de governação que viabilizou a distribuição de pelouros à CDU era um “nado-morto” ao qual o próprio Presidente da Câmara Municipal de Beja já “passou a certidão de óbito”, defendendo que a única alternativa viável passa agora pela construção de um acordo de oposição amplo, plural e consequente à esquerda.
Na imagem, Alberto Matos, coordenador do BE em Beja. Imagem de Rádio Pax
