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Teatro

Centro Dramático de Évora sem apoio quadrienal da DGArtes

A Direção-Geral das Artes (DGArtes) não renovou o seu apoio quadrienal ao Centro Dramático de Évora (Cendrev), causando “surpresa” ao diretor artístico da companhia.

Em declarações à agência Lusa, José Russo disse que, “para nós, foi uma surpresa esta situação, porque não estávamos à espera de que o nosso projeto não fosse renovado”.

O apoio a quatro anos (no ciclo 2023-2025) “foi qualquer coisa pela qual andámos a lutar há muito tempo”, afirmou o responsável, garantindo que dá estabilidade a projetos como o Cendrev, que cumpriu este ano o seu 50.º aniversário e, “para o bem e para o mal, é um projeto que se se foi mantendo ao longo das décadas, depois da liberdade”.

O Cendrev, criado a 11 de janeiro de 1975, na altura com a designação de Centro Cultural de Évora, é um projeto desenvolvido em torno da criação e difusão artística, da formação teatral e da gestão do Teatro Garcia de Resende.

Para José Russo, a companhia “é um exemplo, porque tem feito anualmente um trabalho regular com as escolas, com os autores portugueses, com a programação do teatro agora mais recentemente, que deu um pulo de facto muito importante com a questão da Rede de Teatros e Cineteatros, com um financiamento específico para essa área”.

“Houve uma mudança positiva no sentido de termos melhores condições para poder funcionar”, congratulou-se o diretor artístico, contrapondo que a não renovação do apoio quadrienal da DGArtes é “ao arrepio daquilo que acabou de acontecer”, motivada “por questões mais de caráter administrativo”.

“Quer dizer, sabemos que temos que cumprir com os regulamentos e com as diretrizes que são dadas relativamente à forma como temos de proceder e procuramos fazer isso sempre o melhor possível. Admitimos que, pontualmente, numa ou noutra situação, não o tenhamos feito bem”, admitiu o diretor artístico.

Na semana passada, a DGArtes anunciou que a grande maioria das entidades artísticas apoiadas no ciclo 2023-2026 do Programa de Apoio Sustentado terá o apoio renovado por mais quatro anos.

Das 135 entidades que receberam apoio nesse ciclo, 125 voltarão a recebê-lo em 2027-2030, segundo a DGArtes, em comunicado então divulgado.

O Cendrev consta da lista de cinco entidades nacionais que viram o seu pedido de renovação recusado, tendo José Russo revelado que a estrutura alentejana apresentou a sua contestação, mas esta “não foi considerada” pelo júri.

O diretor artístico do Cendrev lamentou o desfecho, mas disse que a estrutura sabe que tem “a hipótese de, no ano que vem”, apresentar candidatura a novo “concurso para os quatro anos de financiamento”.

“É mais um processo administrativo em que a gente se tem que envolver, num quadro de trabalho em que precisávamos de ter muito mais tranquilidade para estar a projetar o futuro que aí vem, desde logo a Capital Europeia da Cultura”, que vai decorrer em Évora em 2027, realçou José Russo.

 

Fotografia de expresso.pt

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