O projeto da Central Solar Fotovoltaica do Alqueva, com um investimento de 360 milhões de euros, foi reformulado após receber um parecer ambiental desfavorável em 2024. A nova proposta, submetida pela promotora SOLID TOMORROW – Energia Unipessoal Lda., inclui alterações para mitigar os impactos ambientais, com especial enfoque na proteção dos morcegos, e está em consulta pública até 7 de junho.
A central, com uma potência instalada de 388 MW e uma produção anual estimada de 543 GWh, ocupa 570,46 hectares, dos quais 199,33 ha são destinados aos painéis fotovoltaicos. A reformulação reduziu o número de painéis e incorporou um plano específico para preservar o habitat de alimentação e abrigo dos morcegos, particularmente na área de proteção do abrigo Moura III, construído como medida de compensação aquando da construção da barragem do Alqueva. A localização, próxima da escarpa da Falha Vidigueira-Moura, levantou preocupações devido ao risco de erosão dos solos e ao impacto numa extensa área de olival, considerado “muito significativo e irreversível” na avaliação inicial.
Outras alterações visam minimizar o impacto visual na cidade de Moura e os efeitos cumulativos com outras centrais fotovoltaicas na região, incluindo uma central solar flutuante já em operação no Alqueva. O projeto inclui ainda um parque de baterias e uma linha de 400 kV para ligação à rede elétrica.
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) está a avaliar a proposta, que será determinante para a emissão de uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA). A reformulação reflete esforços para compatibilizar a produção de energia renovável com a preservação da biodiversidade, respondendo às exigências de conservação de espécies protegidas como os quirópteros.
