Tribuna Alentejo
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Baixo Alentejo

A26 é uma promessa por cumprir feita a Beja, diz ACP

Beja continua a ser, juntamente com Portalegre, uma das únicas capitais de distrito em Portugal sem acesso direto por autoestrada, transformando o projeto da A26 num símbolo de isolamento que já soma mais de 15 anos de atrasos. Apresentada em 2009 com o objetivo de ligar o Porto de Sines à cidade de Beja e ao seu aeroporto, a obra sofreu sucessivos cortes e paragens, resultando num cenário atual em que apenas 10 dos 40 quilómetros previstos foram construídos. Atualmente, a via termina de forma abrupta em Ferreira do Alentejo, deixando a capital do Baixo Alentejo a uma distância considerável do asfalto de alta velocidade. Sobre este cenário, o Automóvel Club de Portugal (ACP) tem sido uma das vozes mais críticas, classificando a situação como uma promessa por cumprir que perpetua o esquecimento da região e sublinhando que esta carência de infraestruturas básicas é um entrave inaceitável à mobilidade e segurança dos utilizadores.
Este défice de acessibilidades tem um impacto direto e paralisante no Aeroporto de Beja, uma infraestrutura que o ACP aponta frequentemente como o exemplo máximo de um investimento público sem o necessário acompanhamento estratégico. Inaugurado em 2011, o terminal continua subaproveitado por falta de ligações rápidas que permitam o escoamento de mercadorias e passageiros. Embora possua a maior pista de Portugal, a ausência da A26 impede a criação de uma plataforma logística eficiente que una o transporte aéreo ao marítimo em Sines. Para o ACP, a falta de visão integrada torna o aeroporto pouco competitivo e isolado, limitando a sua atividade a operações pontuais enquanto o país discute novas soluções aeroportuárias que ignoram o potencial já instalado no Alentejo.
Recentemente, o Governo voltou a colocar o tema na agenda, com promessas de concluir a ligação entre a A2 e a A26. Contudo, o ACP recorda que os sucessivos anúncios governamentais ao longo de década e meia não passaram de intenções, deixando a região refém de estradas nacionais saturadas e perigosas. Para o clube, não basta anunciar investimentos em variantes; é fundamental que a A26 chegue efetivamente a Beja para garantir a coesão territorial e o desenvolvimento económico do Baixo Alentejo. Enquanto as máquinas não avançarem de forma definitiva, a infraestrutura continuará a ser, como refere a revista do clube, um testemunho de desinvestimento e uma dívida do Estado para com os alentejanos.

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