O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul entrou provisoriamente em vigor a 1 de maio de 2026, após mais de 25 anos de negociações, abrindo novas oportunidades de exportação para os setores do vinho e do azeite do Alentejo. O acordo eliminará gradualmente os direitos de importação sobre mais de 91% das mercadorias europeias vendidas para o Mercosul, um mercado de mais de 700 milhões de pessoas.
O Alentejo está diretamente representado nas 36 indicações geográficas protegidas portuguesas reconhecidas pelo acordo, com destaque para o Azeite de Moura e o Azeite do Alentejo Interior. A proteção geográfica permite a venda a preços entre duas a três vezes superiores aos dos produtos não protegidos.
A Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) aplaudiu o acordo. O presidente Luís Sequeira considera que este “cria condições mais equilibradas de concorrência, permitindo melhorar a competitividade dos vinhos portugueses e reforçar a presença do Alentejo num conjunto de mercados com elevado potencial de crescimento”. Do ponto de vista tarifário, o impacto pode ser significativo: atualmente, as exportações de vinho da UE para o Mercosul enfrentam tarifas de 27%, que serão progressivamente reduzidas.
Entre 2019 e 2023, Portugal exportou em média 276 milhões de euros em azeite e 71 milhões de euros em vinho para os países do Mercosul, com o Brasil a absorver cerca de 99% dessas exportações. Os mercados da Argentina, Uruguai e Paraguai surgem como territórios a explorar a médio prazo.
O acordo não está isento de desafios. As regiões espanholas de Andaluzia e Extremadura, produtoras de grande escala em vinho e azeite, partilham dos mesmos benefícios tarifários, tornando a concorrência ibérica num fator determinante na disputa pela preferência do consumidor sul-americano.
