2 Setembro 2015      13:44

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MENTIRA À LA CARTE

Garantidamente que uma boa parte dos eleitores não acredita nesta democracia e decide não votar pela mesma razão: a mentira é o prato do dia.

Nesta linha de raciocínio, a apatia da população para a política resulta da resposta condicionada que a maioria destes indivíduos desenvolveu face à mentira, à falsidade ideológica, à ocultação de informações que predominam no discurso político e face às publicações enganosas, informações incompletas e tendenciosas difundidas por profissionais da comunicação social através da televisão, rádio e imprensa.

A liquidação do nosso sistema político repete-se a cada ciclo eleitoral e manifesta-se no elevado grau de abstenção do eleitorado, já que os valores cívicos da decência mínima baseada na prestação de contas, na consistência e na precisão dos fatos não existem, uma vez que a honestidade é posta em causa diariamente, muito devido à ação política deste governo. E nesta espiral vertiginosa de mentira é o próprio sistema político que entra em colapso vítima da sua própria fraude.

Talvez por isso, as mentiras e falsidades proferidas pelos políticos, e principalmente pelos governantes, deveriam ser consideradas um crime grave contra a democracia e contra a sociedade e como consequência deveria implicar o afastamento imediato da prática política e/ou o abandono do cargo político/público ocupado.

No entanto, o problema é que mentir e ocultar a verdade em política não é um crime e em Portugal a mentira é servida de bandeja pelos nossos governantes. Ainda não começou a campanha eleitoral e alguns políticos, da maioria de direita que nos (des)governa, já bateram várias vezes os seus próprios registos de mentiras, contradições ideológicas e falsidades estatísticas, bem como, ainda acreditam que voltarão a ganhar a confiança e os votos dos cidadãos crédulos.

São estes mesmo políticos que parecem ignorar o facto que a mesma tecnologia que lhes permite multiplicar o bombardeamento da mentira, é igualmente a que permite, até mesmo ao mais humilde dos eleitores, descobrir rapidamente a falsidade do discurso propagandista.

Tenho a sensação que estes profissionais da mentira ainda podem mentir muito mais. Aguardo com alguma ansiedade e expectativa as histórias de embalar que a marioneta Pedro Passosnóquio e o grilo Portas-falante ainda têm para contar ao avô Gepeto da Silva, na casinha de Belém.

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