3 Setembro 2015      09:50

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DEBATE … MAS POUCO

No rescaldo do primeiro debate televisivo das eleições legislativas 2015 que colocou frente-a-frente Jerónimo de Sousa e Catarina Martins, líderes do Partido Comunista Português (PCP) e Bloco de Esquerda (BE) respectivamente, posso afirmar que fiquei um pouco desiludido com o desenrolar do mesmo, revelando convergência política, alinhamento de opiniões, enfoque nos mesmos inimigos (que não estavam no debate) e ausência de confronto de ideias. 
 

Um debate pressupõe disputa e discussão, requer argumentação e confronto de ideias entre as forças presentes, mas o que se verificou na passada terça-feira foi uma 
recusa declarada da discussão dos projectos e das linhas ideológicas que os dois partidos supostamente defendem para o país, centrando-se o discurso na actuação do actual governo e do governo anterior numa atitude de contra-poder clara, em que se assume uma postura de crítica por crítica sem um fio condutor e sem apresentarem um projecto estruturante para os destinos do Estado.
 
As análises efectuadas, que levantam problemas graves da actuação dos anteriores governos, são legítimas e pertinentes, mas o que interessa num debate entre candidatos de forças políticas diferentes é apresentar alternativas credíveis e soluções estruturadas para resolver esses mesmos problemas. 
 
Apesar de os protagonistas terem identificado bem as dificuldades que o país atravessa, não satisfizeram as pessoas, porque neste momento exige-se uma alternativa, e para se criar alternativa é preciso apresentar programas e projectos, é preciso identificar as medidas que marcam a diferença e que podem representar uma solução real e sustentada, sendo neste ponto que os candidatos falharam porque só fazer diagnósticos e apontar situações difíceis não é suficiente. 
 
O moderador do debate também poderia estar um pouco melhor, uma vez que teve alguma tendência em opinar ou tirar conclusões dos discursos dos líderes políticos, sendo esse um papel reservado a quem assiste ao debate e não ao moderador. 
 
Uma nota muito positiva aos líderes dos dois partidos por não terem feito política baixa, condenando e afastando-se das declarações de Paulo Rangel que trouxe a debate públicas insinuações promíscuas de controlo político sobre a justiça, colocando em causa valores Constitucionais no que toca à separação de poderes.

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