26 Outubro 2015      09:24

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A ESCOLHA ESPERADA NUMA DECLARAÇÃO INESPERADA

Cavaco Silva veio anunciar a decisão que já todos esperávamos: a indigitação de Pedro Passos Coelho como Primeiro-Ministro.

Isto depois de ter exigido uma maioria parlamentar e um governo estável para que procedesse à indigitação do futuro Primeiro-Ministro.

Desta forma, iremos ter um Governo de minoria que durará poucos meses até uma nova eleição, levando assim a uma instabilidade inevitável.

Concorde-se ou não, este era um dos cenários possíveis e Cavaco Silva tomou uma decisão nos termos dos poderes que lhe são conferidos pela Constituição.

Há que aceitar e ver que danos a decisão irá causar e como se desenrolará a situação nacional daqui para a frente.

O que não se pode aceitar de todo, são as considerações que o Presidente da República teceu relativamente ao PCP e ao BE, colocando-os de parte quanto à formação de um futuro Governo e chegando mesmo a dizer que consigo no poder tal não aconteceria.

É fácil imaginar um cenário em que tal pudesse acontecer. Aliás, esse mesmo cenário já foi aqui analisado em crónicas anteriores.

Bastaria que a esquerda e tivesse coligado, tal como está a fazer agora mas antes das eleições.

Vencendo a esquerda com uma coligação PS-BE-PCP e obtendo uma maioria que permitisse uma estabilidade governativa, o que faria Cavaco? Não indigitaria o líder do partido com mais votos apenas porque se tinha coligado com dois partidos que abomina e prefere ver excluídos?

Na sua declaração em que fez renascer velhos mitos sobre os partidos mais à esquerda, Cavaco conseguiu o que há mais de 40 anos muitos não conseguiram: a união da esquerda.

Essa união já se viu com a eleição de Ferro Rodrigues para Presidente da Assembleia da República e certamente se verá em iniciativas legislativas em que seja necessária a aprovação por 2/3 dos Deputados.

Resta saber se, nos meses de Governação que lhe restam, Cavaco será tão rígido como foi nesta declaração, impedindo assim que o Tribunal Constitucional tenha que voltar a fazer o que fez nos últimos quatro anos: corrigir erros legislativos que deveriam ter caído à partida.

Cavaco finalmente mostrou o que é e aquilo em que sempre acreditou já desde os tempos prévios ao 25 de Abril.

Para Cavaco ao que parece, apenas a direita está bem, devendo eliminar-se os partidos à esquerda dado que não merecem lugar na democracia.

Felizmente ainda existe a Constituição como Lei Fundamental em detrimento do favoritismo e do proteccionismo.

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