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literatura

Shirley Jackson

Eis o primeiro parágrafo de We Have Always Lived in the Castle, a última novela (na verdade, o último escrito publicado em vida) de Shirley Jackson:

Whiskey com raspas de limão

Dançava como uma estrela de cinema. Fazia sapateado de forma tal que parecia envergonhar o mais profissional dos profissionais. Sabia, sem dúvida, o que fazia. E sabia fazer essas coisas todas. Era um profissional exímio das artes e da arte. O seu sonho era participar, organizar e ser a grande estrela num espetáculo a solina maior casa de espetáculos da Italiândia. A ideia estava lá e as coisas pareciam encaminhar-se para dar certo.

Voltar a viver

Encarcerado no campo de trigo já abandonado e agora infértil, via o outro lado do pântano que era cheio de alimento e fertilidade.

Para lá chegar precisaria atravessar esse mesmo pântano, esse terreno cheio de animais monstruosos que vivem principalmente na nossa cabeça. As dores das mortíferas víboras que na pele deixam marca, ignoram o suave sabor do mel das abelhas que morrem ao picar.

Grito!

Sinto revolta. Estou revoltada. Sai dentro de mim. Vivo contigo há dois anos. Dois anos. Estou a chegar ao limite. Vou rebentar. Ar. Preciso de ar. Continuas a sufocar-me. Já não tenho ninguém para me salvar. Perdi-o. Perdi-o como perco vida a cada dia que passa. Há lágrimas no chão. Lágrimas que refletem o meu rosto. Esperança. O que é isso? Devia saber melhor o que significa. Mas não sei. Suplico. Suplico. E volto a suplicar. Não passam de meras súplicas. Estou presa. É um ciclo vicioso. Sento-me no chão. Está frio. Afinal ainda sinto. Sinto? O tempo não para. Estou assustada.

Verne – O Verme Do Verbo

Sobrevivi. Eu, hoje, sobrevivi. Não sorri. Não me ri. Não brinquei. Não me senti feliz. Nem me senti triste. Muito menos, vivi. Eu apenas sobrevivi; e tudo bem com isso. E se tudo o que eu fiz hoje foi aguentar-me até chegar a casa, abrir a porta do meu quarto e atirar-me para o colchão da cama, já foi alguma coisa; fiz algo, e estou orgulhosa de mim mesma.

Ulisses

Passaram-se tantos anos desde isto me aconteceu. Hoje ainda me lembro bem da noite. Ainda me lembro bem de ti, meu amigo! Foi numa casa de cada de fados em Lisboa. Brincaste comigo e disseste-me que a cidade tinha o teu nome! Ter-se-ia chamado Olissipo por tua causa, que terias lá estado há muitos anos, na tua epopeia e eu, sim está bem - Tu e todos os outros que estão aqui neste restaurante e já beberam duas cervejas. Aliás, para me embebedar precisarias muito mais do que isso... mas se te chamas Ulisses, até te dou um desconto. Até me disse, olha...

“A Maçonaria no Alto Alentejo” vê a luz do dia este sábado

Há um livro que promete desvendar alguns mistérios e contar algumas histórias: chama-se “A Maçonaria no Alto Alentejo 1821-1936”, da autoria do professor António Ventura, e será apresentado este sábado, no Alto Alentejo, em Portalegre, terra natal do autor.

No Centro de Congressos da Câmara de Portalegre, a apresentação da obra será feita por Maria de Fátima Nunes, professora catedrática da Universidade de Évora, decorre a partir das 16h30.

Na iniciativa estará também a Escola de Artes do Norte Alentejano e que tocará algumas músicas.

Terras sem tempo

O termómetro marcava 43 graus centígrados, uma temperatura que já se tornara normal por aqueles lados. Situada no fundo de um córrego, havia uma casa pequena, pintada de branco e com paredes tão grossas que não deixavam que, durante o dia, esse calor que se fazia sentir entrasse lá dentro. Durante a noite, porém, quando o Sol fugia, o calor escondia-se naquela casa. Lá dentro, os 43 graus do calor ficavam escondidos, até que o escuro e o frio da noite se fossem embora, aos primeiros raios de Sol.

Sacas de serapilheira em nuvens de nylon e de sonhos

No mesmo dia em que fazia 40 anos, Chico Zé amarrou um fio de nylon numa saca de serapilheira cheia de alfarrobas e abalou pelo cerro acima. Levava também consigo uma outra saca de serapilheira repleta das mesmas cordas de nylon que o lugar que subia era tão alto que as nuvens se acomodavam a meio e o que estava acima disso, poucos tinham sido os que conseguiram ver. Ambas as sacas iam também cheias de sonhos.

Mais do que a letra M

Muito mais do que a letra M, esta semana, o texto que aqui se escreve representa um elogio rasgado às pessoas cujo nome começa com a letra M, às terras que se iniciam por esta mesma letra e especialmente aos alimentos e aos produtos que também começam pelo mesmo carácter. Digamos… Medronho.

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