A EDIA lançou o concurso público para o projeto de execução e Estudo de Impacte Ambiental da Barragem de Terges e Cobres, entre os concelhos de Beja e Mértola, num investimento de 990 mil euros. A associação ambientalista ZERO exige a suspensão imediata dos concursos para esta e para a futura Barragem de Carreiras, também prevista para Mértola.
Segundo o presidente da EDIA, José Pedro Salema, as barragens visam “aumentar a resiliência do sistema Alqueva”, regularizando o caudal do Rio Guadiana em ribeiras que “no verão estão a zero”. A apresentação de propostas decorre até 20 de julho, com prazo de execução de 18 meses, estimando-se cerca de dois anos e meio a três anos até ao início das obras.
A Câmara Municipal de Mértola, presidida por Mário Tomé, aplaudiu os projetos como “um passo estruturante para o desenvolvimento do nosso território”, recordando ter proposto a construção destas barragens no âmbito da discussão pública do Plano Nacional da Água.
A ZERO contesta a lógica da EDIA, considerando “uma completa contradição” construir barragens para captar mais água num rio onde já se capta mais do que é sustentável. A associação aponta o regadio intensivo como verdadeira causa do défice hídrico, recordando que cerca de 95% da água distribuída pelo Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva é utilizada por atividades económicas privadas, com 80% da área beneficiada ocupada por olival. O Guadiana apresenta um Índice de Escassez de 51%, com agravamento projetado de 33% até 2070.
A associação enquadra ainda esta opção numa contradição com os compromissos europeus de Portugal, nomeadamente o Regulamento Europeu do Restauro da Natureza, que estabelece o objetivo de libertar 25.000 km de rios até 2030. A ZERO exige a suspensão dos concursos, uma pós-avaliação independente do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva e um compromisso formal do Governo de não construir novas barragens nos afluentes do Guadiana.
Imagem de Vitor Oliveira
