O comércio de vinhos do Alentejo alcançou um crescimento de 8% em 2024 face ao ano anterior, tendo sido vendidos mais de 92 milhões de litros, enquanto as exportações recuaram 2,4%, divulgou a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA).
A comissão vitivinícola apontou, em comunicado enviado à agência Lusa, que, em 2024, foram vendidos 92,2 milhões de litros de vinho do Alentejo, o que equivale a mais de 123 milhões de garrafas.
Este foi “o melhor resultado alcançado nos últimos cinco anos”, sublinhou o organismo, destacando que o aumento das vendas de vinho do Alentejo foi de 8% em relação ao ano de 2023, valor que representa mais 6,7 milhões de litros.
De acordo com a CVRA, a quantidade exportada no ano passado caiu 2,4%, tendo havido uma redução nos mercados europeus e um crescimento em países terceiros, ao contrário do que aconteceu no mercado nacional, que registou um crescimento de 9,3% nos doze meses até setembro de 2024.
“São bons resultados num contexto que, para o vinho, não é propriamente positivo, mas mostram que o Alentejo, mesmo em momentos menos bons, tem a capacidade para dar a volta e recuperar a sua expressão no mercado”, considerou Francisco Mateus, presidente da CVRA, em declarações à Lusa.
Francisco Mateus fez referência à redução do consumo de vinho a nível global, associando essa tendência a questões ligadas à pandemia de covid-19, ao aumento da inflação e à redução do poder de compra ou ao movimento anti-álcool.
“O ano passado não foi sequer parecido com aquilo que tínhamos em 2019”, visto como “um ano dentro da normalidade” para o setor, vincou, salientando que, entre 2020 e 2023, não foram ultrapassados os 90 milhões de litros vendidos.
Sublinhando que os resultados do ano passado “mostram que ao quinto ano foi possível inverter a sequência de números menos bons”, o presidente da CVRA indicou que estes números são “um bom sinal” para o futuro dos vinhos da região do Alentejo.
No que respeita à quebra nas exportações, Francisco Mateus assumiu que, nesse aspeto, “o ano passado não foi excecional” e indicou que a manutenção do preço médio do vinho do Alentejo nos mercados internacionais foi o “único dado positivo”.
“Vendemos menos quantidade, mas aguentamos o preço médio e isso acho que é bom”, considerou, acrescentando ainda que, de acordo com dados estatísticos, o valor médio do vinho do Alentejo exportado se situa nos 3,58 euros por litro.
Segundo a CVRA, a venda de vinho com Denominação de Origem Controlada (DOC) Alentejo cresceu 11%, com mais 2,1 milhões de litros, enquanto o Regional Alentejano teve um crescimento de 7%, pelo acréscimo de 4,6 milhões de litros.
O vinho tinto continua na liderança das vendas com 66,8 milhões de litros, com um crescimento de 7,5%, enquanto os vinhos branco e rosé alcançaram o melhor resultado de sempre.
No mesmo comunicado, a CVRA referiu que os resultados alcançados pelo branco e pelo rosé demonstram “a evolução do perfil de consumo e a boa aceitação destas categorias por parte dos consumidores”.
Segundo o organismo, os vinhos brancos tiveram um crescimento de 9,4% e os rosés de 2,7%. Em conjunto, representaram 27% do volume de vinhos do Alentejo que foi comercializado.
Fundada no ano de 1989, a CVRA é responsável por proteger e defender a DOC Alentejo e a Indicação Geográfica Alentejano, pela certificação e pelo controlo da origem e qualidade, pela promoção e pelo fomento da sustentabilidade.
O Alentejo lidera, a nível nacional, em vinhos certificados, com aproximadamente 40% de valor total das vendas num universo de 14 regiões vitivinícolas no país.
Com uma área de vinha de 23,3 mil hectares, 30% da produção da região destina-se a exportação para o Brasil, a Suíça, os Estados Unidos da América, o Reino Unido e a Polónia, os cinco destinos principais.
Fotografia de winesofportugal.com
