A Comissão de Utentes em Defesa da Linha do Alentejo está a exigir a substituição urgente das velhas automotoras a gasóleo da CP, que continuam a circular nesta linha ferroviária. O grupo de cidadãos recorda que estas composições já contam com seis décadas de atividade e, embora tenham passado por um processo de modernização no final dos anos 90, encontram-se hoje num estado de degradação avançado. Carlos Reforço, porta-voz do movimento, alerta que as falhas mecânicas graves se tornaram recorrentes. Em diversas ocasiões, os incidentes técnicos foram de tal ordem que exigiram a intervenção das forças de proteção civil e dos bombeiros para retirar os passageiros em segurança das composições imobilizadas.
Além dos constantes atrasos e cancelamentos provocados por estes problemas técnicos, o bem-estar de quem viaja é diariamente colocado em causa devido a avarias crónicas nos sistemas de refrigeração. O representante do movimento enfatizou o impacto negativo destas falhas, sublinhando que a ausência de climatização funcional expõe os utentes a condições extremas de calor dentro das carruagens, tornando as viagens insustentáveis durante os meses de verão na região. A esperança dos passageiros reside agora nas promessas do Governo; durante o certame da Ovibeja realizado em 2026, o Primeiro-Ministro Luís Montenegro garantiu que a operadora pública ferroviária vai receber novos veículos movidos a eletricidade, estando previsto que as primeiras três carruagens fabricadas sejam canalizadas prioritariamente para este troço alentejano.
As denúncias que agora ganham força ecoam um historial longo de relatos publicados na imprensa regional, que ao longo dos últimos anos tem dado voz ao descontentamento geral da população. Notícias de jornais locais e regionais documentam episódios críticos em que os passageiros enfrentaram esperas intermináveis em plena via. Num dos incidentes reportados, uma automotora ficou totalmente imobilizada por falha de baterias perto de Vila Nova da Baronia, deixando os viajantes retidos e resultando em atrasos superiores a duas horas no destino final. Noutra ocasião detalhada pelos meios de comunicação social da região, um comboio avariou por completo pouco antes de chegar à estação de Casa Branca, obrigando à ativação imediata do Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil para prestar auxílio.
A comunicação social regional tem também enfatizado o sentimento de abandono vivido no Baixo Alentejo face à perda de qualidade do material circulante. Crónicas regionais apontam que, além do desinvestimento contínuo, a Linha do Alentejo sofreu um forte retrocesso quando as suas melhores carruagens foram retiradas e transferidas para outras zonas do país, sendo substituídas por veículos ainda mais antigos e degradados provenientes da Linha da Beira. Relatos partilhados nos órgãos locais descrevem cenários de composições a circular sem o mínimo de dignidade para os passageiros, sem instalações sanitárias utilizáveis e sob temperaturas que frequentemente superavam os 40 graus, consolidando a perceção de que os utentes locais são tratados como passageiros de terceira classe.
Para tentar inverter esta tendência de isolamento, a comissão reuniu recentemente com os presidentes dos municípios de Beja, Alvito e Vendas Novas, que demonstraram total abertura face ao problema e admitiram receber queixas diárias por parte dos seus habitantes. De acordo com os responsáveis da comissão, foi pedido aos respetivos autarcas que exerçam pressão política junto do poder central em Lisboa para que sejam tomadas medidas urgentes na ferrovia. Em paralelo, está a decorrer a recolha de assinaturas para uma Petição Pública, promovida em papel e na internet, que já recolheu o apoio de aproximadamente 6.000 cidadãos. A meta passa por atingir as 7.500 assinaturas necessárias para forçar o debate do tema na Assembleia da República. O movimento termina com um apelo à mobilização popular, exigindo não só a reposição dos serviços de passageiros no eixo ferroviário entre Beja e Funcheira, mas também a ligação direta da rede ao Aeroporto de Beja.
