A Comissão de Utentes em Defesa da Linha do Alentejo reuniu esta semana com os presidentes das câmaras municipais de Beja, Alvito e Vendas Novas, com o objectivo de dar a conhecer as principais preocupações dos passageiros relativamente à situação actual da linha e ao seu futuro. Foram igualmente solicitadas reuniões com a CP — Comboios de Portugal, a CCDR Alentejo e as câmaras municipais de Cuba e Évora, alargando o processo de auscultação institucional. Entre os problemas mais graves identificados destacam-se o reduzido número de composições face ao aumento da procura gerado pelo Passe Verde, as dificuldades na marcação obrigatória de lugares que esgotam em minutos, os atrasos sistemáticos entre 45 minutos e uma hora e meia, a substituição pontual de comboios Intercidades por material regional mais lento e menos confortável, e a circulação de automotoras entre Beja e Casa Branca com ar condicionado avariado em períodos de temperaturas superiores a 40 graus — situação que coloca em causa o conforto, a segurança e a saúde dos passageiros.
Quanto ao futuro da linha, a Comissão analisou a Resolução do Conselho de Ministros n.º 85/2026, que autoriza a concretização do projecto de modernização entre Casa Branca e Beja. Embora considere positiva a confirmação do investimento, a Comissão manifesta reservas quanto ao prazo de execução previsto — entre 2027 e 2033 —, bem como quanto ao historial de sucessivos atrasos e promessas não cumpridas em projectos ferroviários. Os utentes exigem que os anúncios agora realizados se traduzam em verbas, meios e prazos concretos, sem novos adiamentos, e que sejam asseguradas alternativas de mobilidade durante a realização das obras. A Comissão reivindica ainda a reposição da ligação ferroviária de passageiros entre Beja e a Funcheira e a ligação da Linha do Alentejo ao Aeroporto de Beja.
Após 16 anos de reivindicações, os utentes sublinham que a ferrovia é uma necessidade estratégica para o Alentejo — essencial para combater o isolamento da região, garantir mobilidade a quem não dispõe de transporte próprio e promover a coesão territorial. A petição “Por uma ferrovia de qualidade ao serviço da região Alentejo”, disponível em peticaopublica.com, conta já com mais de 6.000 subscritores desde março, num sinal claro de que a paciência das populações face a décadas de promessas adiadas chegou ao limite. A Comissão apela a todos os cidadãos para que se unam na defesa do direito à mobilidade e ao acesso aos transportes públicos, consagrado na Constituição da República Portuguesa.
