A tensão em torno do funcionamento da fábrica de processamento de bagaço de azeitona na aldeia de Fortes, em Ferreira do Alentejo, ganhou novos contornos com o confronto direto entre as garantias regulamentares e a pressão da sociedade civil. Por um lado, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo assegurou recentemente que a unidade industrial operada pela AZPO tem funcionado em total conformidade com os parâmetros ambientais vigentes.
Durante uma audição na Comissão de Ambiente e Energia da Assembleia da República, o presidente da CCDR Alentejo, Ricardo Pinheiro, esclareceu que as fiscalizações conduzidas pelo organismo desde 2018 não detetaram qualquer incumprimento ou violação dos limites legais estabelecidos para a qualidade do ar ou gestão de resíduos.
No entanto, esta leitura técnica contrasta fortemente com o descontentamento da população e a intervenção da VIDA CIVIS. A associação de cidadania ativa e defesa ambiental emitiu uma carta aberta focada nas emissões destas fábricas, exigindo maior transparência sobre o enquadramento legal, a eficácia da fiscalização e a urgente proteção da saúde pública das populações afetadas.
A associação tem denunciado de forma sistemática o impacto dos odores intensos e das partículas em suspensão na qualidade de vida local, tendo inclusive recorrido à Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos devido à falta de respostas céleres das autoridades civis. O próprio dirigente da CCDR Alentejo acabou por reconhecer a legitimidade do desconforto gerado pelos fumos, sugerindo que, mesmo sem infrações registadas à luz da lei atual, o setor necessita de adotar avanços tecnológicos urgentes para mitigar os impactos ambientais e restabelecer a harmonia com as comunidades circundantes.
