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Ciência

Aquecimento global vai ter impacto severo nas vinhas. Plansel lança livro científico sobre “Castas do Futuro”

O músico e artista plástico Manuel João Vieira vai apresentar o “Livro Branco das Castas do Futuro”, uma obra de cariz técnico e científico da autoria do produtor alemão Jorge Böhm, fundador da Plansel. O evento de lançamento está marcado para o dia 7 de novembro no Centro de Congressos de Lisboa (antiga FIL), prometendo juntar irreverência e ciência num debate crucial para o setor vitivinícola nacional.
A escolha de Manuel João Vieira para conduzir a apresentação assume um tom assumidamente provocador. O líder da banda Ena Pá 2000 e docente na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) ficou célebre pelas suas incursões na política cívica, nomeadamente quando, em campanhas para a Presidência da República, prometeu de forma satírica instalar “vinho canalizado” nas habitações dos portugueses. Para lá da faceta humorística, Vieira possui um conhecimento sólido sobre o ecossistema do vinho e deverá trazer uma reflexão tão polémica quanto certeira sobre o panorama atual da atividade.
A obra literária funciona como um verdadeiro tratado que antecipa os desafios do setor face à crise climática. O grande propósito deste livro branco é lançar o alerta aos produtores, decisores políticos e agentes económicos sobre o impacto severo que o aquecimento global e as alterações do clima terão nas vinhas em solo português, sugerindo estratégias de adaptação com base nas castas mais resilientes.
O autor, Jorge Böhm, ligou o seu destino a Portugal devido a um imprevisto em 1961. O veleiro em que seguia rumo às Seicheles foi obrigado a atracar em Cascais, onde acabou por ser abalroado por uma embarcação de pesca. O acidente prolongou a sua estadia no país e acendeu o fascínio pela enorme riqueza e diversidade das uvas portuguesas. Descendente de uma família alemã ligada à produção vinícola — cuja heráldica inspirou o logótipo da marca —, Böhm fixou-se em Montemor-o-Novo na década de 1970 para se focar na pesquisa, triagem e melhoramento botânico.
Em 1981, fundou os Viveiros Plansel, uma marca que se tornou uma das maiores referências ibéricas na seleção clonal e certificação de plantas. Desenvolvido em estreita parceria com a Universidade de Évora e o INIAV, o trabalho dos viveiros foi de tal forma pioneiro que, atualmente, cerca de metade das videiras certificadas plantadas anualmente em Portugal e exportadas para o estrangeiro têm origem nesta investigação. A nova geração da empresa mantém o foco na ciência, procurando agora identificar plantas mais resistentes ao stresse hídrico e a pragas.
O projeto consolidou-se também na produção de vinhos através da Quinta da Plansel, nascida em 1975 com a compra das primeiras terras no Alentejo. Com uma produção anual que atinge os 400 mil litros distribuídos por cinco gamas distintas, a adega foca-se na valorização de castas de eleição como a Touriga Nacional, a Touriga Franca e a Tinta Barroca, provando o sucesso da fusão entre o rigor técnico germânico e a riqueza da terra portuguesa.

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