O Alentejo vai receber apenas 1% do investimento público estruturante nacional no próximo ano, segundo denuncia João Grilo, Presidente da Câmara Municipal de Alandroal, num artigo de opinião baseado na análise ao relatório da proposta do Orçamento do Estado para 2027. O autarca sublinha que, dos 11.199 milhões de euros planeados para todo o país, a região tem reservados exclusivamente 117 milhões de euros, o que representa uma fatia residual para um território que ocupa um terço da geografia portuguesa. Grilo nota que, embora existam verbas adicionais destinadas a projetos pluriregionais, a tendência de sub-financiamento se mantém e aponta um padrão histórico de desinvestimento na região sempre que Portugal é liderado por governos de direita, acusando-os de deixarem os projetos estruturantes locais “na gaveta”.
Para o presidente do município alentejano, esta escassez de investimento público contrasta fortemente com o dinamismo do setor privado, atraído por áreas como a agroindústria, energia, dados, aeroespacial, defesa, turismo e logística portuária. O autarca defende que empreendimentos profundamente transformadores, como o Alqueva, só se tornaram realidade no passado graças à iniciativa de governos socialistas, considerando impensável que a atual dotação orçamental da direita permita alavancar novos projetos de idêntica dimensão.
No Alentejo Central, João Grilo destaca uma quebra de 70% na previsão de despesa em comparação com o ano anterior, que tinha sido impulsionado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). O autarca atribui esta redução drástica à sub-orçamentação para as obras de conclusão do Hospital Central do Alentejo e à ausência de novas alternativas rodoviárias estruturantes que substituam a conclusão da Variante Nascente de Évora.
O líder municipal lamenta ainda que o documento para 2027 deixe de fora decisões e recursos cruciais para a região, como as plataformas logísticas do Corredor Internacional Sul, a continuidade da requalificação do IP2 e a construção da variante a Estremoz. Por fim, João Grilo critica o esquecimento do Governo no reforço do compromisso com o município de Évora no momento decisivo de Évora 27, Capital Europeia da Cultura, alertando que o ritmo atual de investimento compromete a qualidade de vida e a mobilidade dos alentejanos.
