Tribuna Alentejo
José Albino RESPIRA ()
Saúde

Covid-19: se não quer voltar a parar, tem que se vacinar

Há quem tenha memória curta, que já não se lembre de quando as ruas estavam vazias, de quando o uso de máscara se tornou rotina, dos abraços que tiveram de ser adiados e de quando os hospitais se encheram de doentes, muitos deles doentes crónicos em situação crítica. Talvez se tenham esquecido de quando todos parávamos para ouvir a atualização diária do número de casos de Covid-19, na esperança de que finalmente baixassem, numa altura em que não havia vacina e em que, durante longos meses, a distância e o isolamento foram a única forma de proteção.

Hoje, não precisamos de viver assim. A pandemia ficou para trás, mas isso não significa que o vírus tenha desaparecido. Ele continua presente, em circulação e, para uma parte das pessoas, uma infeção ainda significa hospital, semanas de recuperação, uma vida interrompida. A diferença é que agora temos uma proteção, a vacina. Mantê-la em dia é o que nos poupa de voltar a depender da sorte.

Porque a verdade é que as coisas não deixam de existir só porque se deixou de falar delas. É um facto que, atualmente, a Covid já não enche os jornais ou abre os noticiários. Mas os dados da Direção-Geral da Saúde confirmam uma queda progressiva na cobertura vacinal desta doença, que passou de 56,14% na campanha de vacinação de 2023/2024, para 38,60% na da época passada (2025/2026).

Sobretudo para quem vive com doenças respiratórias crónicas, diabetes, doenças cardiovasculares ou determinadas condições de imunossupressão, esta é uma forma de proteção não só confirmada pela ciência, como eficaz na prevenção das consequências mais graves da doença. E em Portugal há muitas pessoas que dela podem beneficiar. Mais de quatro em cada dez (42,3%) com 16 ou mais anos declararam, de acordo com o Eurostat de 2024, estar a viver com uma doença crónica ou um problema de saúde prolongado, um indicador que torna evidente a importância de reforçar as estratégias de prevenção.

Contra factos não há argumentos, mas continua a haver desinformação, teorias da conspiração que proliferam com a rapidez de um rastilho, deitando por terra os conceitos mais do que comprovados e levando muitos, de forma errada, a optar por não se vacinarem. A ideia de que o risco passou leva a arriscar a saúde e a verdade é que uma infeção por COVID-19 pode representar muito mais do que alguns dias de mau-estar.

E a sorte não seleciona pela idade. Persiste a ideia de que esta é uma doença de idosos e que quem é mais novo e saudável pode ficar de fora. É verdade que o risco aumenta com a idade, mas não se esgota nela: as pessoas com doenças crónicas e com o sistema imunitário fragilizado estão entre as mais vulneráveis. E as que mais beneficiam da vacina.

É por isso que lançamos a campanha “Se não quer voltar a parar, é altura de se vacinar”. A paragem de que falamos é a de cada pessoa: semanas sem trabalhar, a autonomia perdida, o hospital. A vacina não elimina esse risco, mas consegue reduzi-lo, e está ao alcance de quem precisa.

Para muitos, a diferença será pequena. Para outros, pode ser a diferença entre continuar a tratar da própria vida ou depender de terceiros para o fazer, entre recuperar em casa ou ser internado e, nos casos mais graves, entre a vida e a morte. Por isso, pedimos que não adie: informe-se, avalie o seu risco com um profissional de saúde e, se não quer voltar a ter que parar, faça a vacinação.

José Albino

Presidente da RESPIRA e Coordenador do MOVA

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