O Partido Comunista Português (PCP) defende que o Aeroporto de Beja deve ser gerido pelo Estado e plenamente aproveitado para impulsionar a economia regional e nacional. Em comunicado, a Direção da Organização Regional de Beja do partido contesta as privatizações da TAP e da ANA – Aeroportos de Portugal, argumentando que estas medidas favorecem os lucros dos acionistas privados em vez de servirem o interesse público. Os comunistas criticam o desinvestimento na infraestrutura alentejana, sublinhando que esta recebe apenas 0,4% da verba planeada pela ANA para as pistas nacionais, o que tem travado projetos antigos como centros de formação e escolas de pilotagem.
Em declarações prestadas à Rádio Planície, José Maria Pós de Mina, dirigente da estrutura regional e do Comité Central do PCP, responsabilizou os anteriores executivos do PS e do PSD pelo abandono das promessas feitas à região. Para reverter a situação, o responsável aponta três eixos urgentes: o aumento das verbas atribuídas ao aeroporto, a sua inclusão efetiva na rede de transportes do país e a implementação de uma plataforma logística. Esta infraestrutura logística, já prevista no plano municipal, visa atrair empresas das áreas alimentar, tecnológica e da aeronáutica, gerando novos postos de trabalho. Para avançar com esta medida, o PCP pretende incluir uma proposta formal na discussão do Orçamento do Estado para 2027.
O partido exige também esclarecimentos detalhados sobre o projeto da escola de aviação que a Lufthansa prevê instalar em Portugal e pede explicações técnicas que fundamentem as supostas incompatibilidades entre as operações civis do aeroporto e a atividade militar da Base Aérea de Beja. Por fim, a organização recordou a resolução aprovada pelo Parlamento em 2023, que já sugeria ao Governo a valorização deste aeroporto e a sua ligação às redes de comboios e estradas, reiterando a urgência de fundos públicos para colocar a infraestrutura ao serviço do desenvolvimento alentejano.
