O vasto complexo da antiga FINO’S – Fábrica de Lanifícios de Portalegre, um dos símbolos industriais mais marcantes da cidade e que se encontra abandonado desde o final dos anos 1990, prepara-se para ganhar uma nova vida. O terreno de cerca de três hectares e a quase totalidade das suas estruturas foram comprados por uma empresa privada, ficando excluído do negócio apenas um pavilhão que já pertencia a outros proprietários. De acordo com informações avançadas pela presidente da autarquia, Fermelinda Carvalho, durante a última reunião camarária, a escritura de compra e venda já se encontra formalizada. A revelação surgiu na sequência de um pedido de esclarecimento feito pelo vereador do PS, Francisco Silva.
Embora a natureza concreta da futura atividade económica ou social ainda permaneça sob sigilo por respeito aos promotores, a autarca adiantou à Rádio Portalegre que o plano passa por reabilitar a maior parte dos pavilhões. Esta abordagem de preservação afasta por completo a perspetiva de uma demolição integral das instalações, permitindo também resolver problemas ambientais urgentes, como a remoção das coberturas de amianto ainda existentes no local.
Para lá da requalificação dos edifícios, a proposta submetida à avaliação dos serviços municipais contempla a criação de bolsas de estacionamento, uma valência que virá colmatar uma forte necessidade de aparcamento automóvel sentida naquela zona de Portalegre. Os novos donos do espaço já se reuniram por duas vezes com o executivo camarário para articular os moldes da intervenção.
Paralelamente a este investimento privado, o Município de Portalegre está a desenvolver o projeto técnico destinado a finalizar a ligação rodoviária da Meia Encosta. Na mesma zona, a autarquia planeia construir uma nova rotunda que facilite o acesso automóvel ao antigo complexo fabril, uma intervenção de engenharia que está a ser articulada em conjunto com a Infraestruturas de Portugal. Fermelinda Carvalho manifestou-se convicta de que este projeto de revitalização urbana terá um impacto muito positivo para a cidade, devolvendo utilidade e dinamismo económico a um património histórico que esteve votado ao abandono ao longo de décadas.
