Tribuna Alentejo
agentes pastorais da diaspora
Internacional

Missões católicas portuguesas na Diáspora contra o aumento do discurso de ódio e racismo

Um grupo de 36 agentes pastorais ligados às comunidades católicas lusófonas na Europa manifestou profunda preocupação com o aumento do racismo, da xenofobia e dos discursos de ódio contra migrantes. A tomada de posição surgiu após um encontro realizado no Centro de Schoenstatt, em Rottenburg, na Alemanha, que debateu o papel da pastoral das migrações na construção de uma Igreja mais participativa e aberta. Numa síntese enviada à Agência ECCLESIA, os participantes recordaram que a fé cristã rejeita qualquer tipo de discriminação e instaram a Igreja a assumir o seu papel profético, denunciando a exclusão e promovendo uma cultura de acolhimento e diálogo.
O evento reuniu uma comitiva diversa de bispos, padres, religiosos e leigos oriundos de países como Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Camarões, México, Itália e Indonésia, todos com experiência de missão em várias nações europeias e nos Estados Unidos. A representação portuguesa contou com D. Pedro Fernandes, presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana, e Eugénia Costa Quaresma, diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM).
Em declarações, a diretora da OCPM sublinhou a urgência de capacitar os fiéis para identificar e rebater narrativas de ódio. Relembrando que a própria diáspora portuguesa já vivenciou as dores da rejeição no passado, a responsável destacou que valores evangélicos como o perdão e a reconciliação são ferramentas essenciais para superar a atual polarização social. O documento final do encontro traça metas claras para o futuro, que incluem a criação de pontes com a sociedade civil, o apoio próximo às famílias em situação de vulnerabilidade e o combate às resistências internas que ainda dificultam a integração e a aceitação da diversidade cultural nas próprias paróquias.
Para responder a estes desafios, os agentes pastorais propõem um forte investimento na formação bíblica e teológica dos leigos, bem como na preparação do clero para lidar com a interculturalidade e a mobilidade humana, colmatando o desconhecimento que ainda existe sobre as diretrizes da Igreja nesta área. Com um balanço muito positivo da iniciativa — assente num método de partilha e escuta mútua —, os participantes levaram o documento de compromisso para as suas comunidades, com o objetivo de reavaliar os progressos num próximo encontro já agendado para 2027. Em Portugal, a prioridade passará por reforçar os laços entre as estruturas e aprofundar parcerias bilaterais entre conferências episcopais, mantendo o foco numa Igreja permanentemente atenta e acolhedora.

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